Bovespa começa o dia volátil, seguindo exterior

Suspeita de que medidas do Fed podem não ser suficientes para tirar EUA da recessão pressiona mercados

Patricia Lara, da Agência Estado,

20 de setembro de 2007 | 10h28

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) deve acompanhar a inclinação dos mercados acionários no exterior, que não dão sinais convincentes quanto à direção do dia, mas alguns operadores destacam que pode ocorrer um descasamento do rumo das ações internas.  Inicialmente, os mercados acionários da Europa e os futuros de Nova York abriram a manhã pressionados por uma onda de realização, motivada pela suspeita de que as medidas agressivas anunciadas pelo Federal Reserve podem não ser suficientes para tirar os EUA da rota de uma recessão provocada pela ruptura do crédito farto que alimentou a bolha imobiliária e a emissão de produtos estruturados com base nos preços dos imóveis.  Mas os índices referenciais saíram das mínimas. Por aqui, o principal índice da Bolsa oscilava entre altas e quedas, e caía 0,01% às 10h20, operando perto da estabilidade.  O dólar, por sua vez,  caía 0,48%, cotado a R$ 1,86. Em Nova York, às 9h51, o S&P 500 cedia 0,13% e o Nasdaq 100 futuro, 0,25%. O Goldman Sachs e o Bear Stearns já abriram seus balanços nesta quinta, com resultados divergentes. O Goldman Sachs anunciou que seu lucro cresceu 79% no terceiro trimestre, favorecido por ganhos extraordinários de investimento e receitas significativamente maiores com operações hipotecárias.   O lucro líquido do Bear Stearns, por outro lado, caiu 61% para US$ 171,3 milhões no terceiro trimestre ou US$ 1,16 por ação, enquanto suas receitas cederam 38% para US$ 1,3 bilhão. Analistas esperavam lucro de US$ 1,78 por ação. A instituição disse que o trimestre "foi caracterizado por extremas dificuldades no mercado de securitização e pelo elevado nível de volatilidade nas classes de ativos".  O presidente do Fed, Ben Bernanke, cujo depoimento ao Comitê de Serviços Financeiros da Câmara está previsto para as 11h, deve afirmar que o banco central vai agir conforme o necessário para lidar com os dados de inflação e crescimento, conforme texto previamente preparado e já divulgado pela agência Dow Jones. No documento, ele diz que o sistema financeiro está em uma "posição relativamente sólida". No front da economia real americana, o dado do mercado de trabalho, divulgado nesta manhã, foi positivo. O número de trabalhadores que entrou pela primeira vez com pedido de auxílio-desemprego caiu 9 mil, contrariando expectativa de elevação de 1 mil. Inflação Por aqui, os índices de inflação doméstica começam a preocupar operadores do mercado de bolsa. A segunda prévia do IGP-M de setembro, divulgada pela Fundação Getúlio Vargas, registrou aumento de 1,05%, o que correspondeu ao resultado mais elevado para uma segunda prévia desde julho de 2004, quando esse tipo de indicador subiu 1,11%.

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