Bovespa contraria exterior e cai em dia de liquidez enxuta

Cenário:

CLAUDIA VIOLANTE, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2014 | 02h08

A ausência de liquidez marcou os mercados acionários ontem, sobretudo no período da tarde, quando os investidores internacionais, já de olho nos feriados de segunda-feira nos Estados Unidos e no Reino Unido, se retraíram. Como resultado, enquanto os índices em Nova York renovavam máximas, amparados pelo aumento de 6,4% nas vendas de imóveis novos em abril, para 433 mil unidades (acima das estimativas de 420 mil), a Bovespa testou algumas mínimas, pressionada pela queda das ações dos bancos diante do julgamento sobre os planos econômicos marcado para a próxima semana no Supremo Tribunal Federal (STF). Assim, no fim do dia, o Dow Jones subiu 0,38%, para 16.606,27 pontos, enquanto o Nasdaq ganhou 0,76%, a 4.185,81 pontos. O S&P 500 avançou 0,42%, aos 1.900,53 pontos, novo recorde de fechamento.

A Bovespa, na direção contrária, acabou distante das mínimas, mas ainda em baixa de 0,34%, aos 52.626,41 pontos. O giro financeiro totalizou R$ 4,994 bilhões, o menor do mês. Entre os bancos, Bradesco PN caiu 1,59%, Itaú Unibanco PN cedeu 1,51%, BB ON recuou 1,71% e Santander Unit perdeu 0,20%. Na semana, o Ibovespa acumulou perdas de 2,50%, depois de ter subido três semanas consecutivas. No mês, acumula ganho de 1,94% e, no ano, de 2,17%.

O dólar ante o real, no entanto, teve um dia de valorização, influenciado pelo resultado pior que o esperado do déficit em transações correntes do País em abril: US$ 8,291 bilhões, ante expectativa do mercado de que o resultado negativo ficaria entre US$ 5,6 bilhões e US$ 8 bilhões. No acumulado de janeiro a abril, o déficit em conta corrente soma US$ 33,476 bilhões, o equivalente a 4,65% do Produto Interno Bruto (PIB). No acumulado dos últimos 12 meses, o saldo está negativo em US$ 81,611 bilhões, o que representa 3,65% do PIB.

Além das contas externas, houve continuidade dos efeitos da declaração do presidente do BC, Alexandre Tombini, na quinta-feira, sobre possíveis mudanças no programa de swap cambial. O dólar à vista no balcão terminou cotado a R$ 2,2240, alta de 0,36% e no maior nível desde 6 de maio (R$ 2,2260). Na semana, a moeda dos EUA teve valorização de 0,50%.

O comportamento do dólar e um movimento técnico de recomposição, após as quedas recentes, fizeram as taxas futuras de juros apresentarem discreto viés de alta ao longo do dia, mas sem se afastarem muito dos ajustes anteriores. Mesmo porque, a inflação segue dando sinais de desaceleração e os investidores parecem cada vez mais convictos de que o Comitê de Política Monetária (Copom) interromperá o ciclo de ajuste da Selic na reunião desta semana, mantendo-a em 11% ao ano.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.