Rafael Matsunaga/Wikimedia Commons
Rafael Matsunaga/Wikimedia Commons

Bolsa cai com reavaliação do impeachment e dólar fica estável

Após avaliação de que o processo de impedimento pode ser demorado, investidores corrigiram os exageros da véspera

Fabrício de Castro e Claudia Violante, O Estado de S. Paulo

04 Dezembro 2015 | 12h11

A aceitação do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff continuou a conduzir os negócios no Brasil nesta sexta-feira. A Bovespa registrou perdas firmes, em meio à avaliação de que o processo de impedimento pode ser demorado e com investidores corrigindo os exageros de alta da véspera. No câmbio, o dólar ensaiou correções técnicas em relação à ontem, mas a leitura de que a saída de Dilma será positiva seguiu segurando as cotações da moeda americana. O resultado foi um dólar próximo da estabilidade no fim do dia, cotado a R$ 3,7471.

O Ibovespa fechou o dia em queda de 2,23%, aos 45.360,75 pontos. Na mínima, marcou 45.023 pontos (-2,95%) e, na máxima, 46.385 pontos (-0,02%). Na semana, acumulou queda de 1,11%, e, no mês, sobe 0,53%. No ano até hoje, o Ibovespa recua 9,29%. O giro financeiro totalizou R$ 5,929 bilhões.

 

O tema impeachment ecoava nas mesas desde cedo, mas hoje os investidores resolveram corrigir os exageros da véspera, quando o Ibovespa subiu mais de 3% e saltou dos 44 mil para os 46 mil pontos. “Grande parte do desempenho de hoje foi uma correção à reação exagerada da véspera, somada a coisas pontuais, como o desempenho de Gerdau”, comentou Ignacio Crespo Rey, economista da Guide.

Os papéis da Petrobrás estiveram entre os destaques de baixa, em meio às correções e com o recuo do petróleo no mercado internacional. O papel ON da estatal despencou 6,84% e o PN teve baixa de 5,76%. Vale ON cedeu 4,04% e Vale PNA teve baixa de 2,73%, penalizada pelo fato de o preço do minério de ferro na China estar abaixo dos US$ 40 a tonelada.

Gerdau PN e Metalúrgica Gerdau PN também registraram perdas consideráveis, de 9,63% e 8,95%, após o relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) apontar irregularidades no julgamento de mais de 70 processos, envolvendo 73 empresas e pessoas físicas. Foram citados, por ordem de valor dos processos, o Banco Santander (em duas ações de R$ 3,34 bilhões cada), o Bradesco (com ações de R$ 2,75 bilhões), a Ford (R$ 1,78 bilhões) e a própria Gerdau (R$ 1,22 bilhão). Bradesco ON cedeu 2,91% e o papel PN do banco caiu 1,37%, enquanto as units do Santander recuaram 0,77%.

No geral, alguns players se mostravam mais cautelosos em relação ao impeachment em si. Afinal, o processo pode se estender por 2016 e a indefinição é um fator negativo tanto para o mercado quanto para as agências internacionais de rating. Hoje, a Moody's afirmou que o impeachment complica o ambiente político e tem o potencial de piorar as perspectivas de crescimento do País no curto prazo. Já a Fitch defendeu que o processo de impeachment pode elevar o risco político e as incertezas sobre as políticas econômicas, ameaçando o ajuste fiscal. Moody's e Fitch são as duas agências internacionais de risco que ainda mantêm o Brasil na categoria de "grau de investimento".

O viés de alta para o dólar foi intensificado, ainda pela manhã, pelos dados de emprego divulgados nos EUA. O país criou 211 mil vagas em novembro, acima da previsão de 200 mil postos. Já a taxa de desemprego ficou em 5,0%, em linha com as previsões. Os números elevaram a percepção de que o Federal Reserve terá espaço para elevar juros este mês, o que deu força à moeda americana ante várias divisas de países emergentes.

No entanto, a busca por dólares arrefeceu à tarde. "O payroll deu um 'calor' nas cotações, mas continuou pesando a percepção de que a saída de Dilma do Planalto pode ser positiva para o País", comentou um profissional que prefere não se identificar.

Mais conteúdo sobre:
BovespadólarPetrobras

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.