Bovespa dá as costas a Wall Street e sobe 2,38%

Os ganhos das ações de empresas ligadas a commodities e de bancos fizeram a Bolsa de Valores de São Paulo dar as costas à volatilidade de Wall Street e subir pela terceira sessão seguida nesta terça-feira. O principal índice da bolsa paulista subiu 2,38%, aos 61.234 pontos. O giro financeiro de negócios somou R$ 5,6 bilhões. Segundo analistas, o temor de que uma recessão nos Estados Unidos se espalhe pelo mundo, responsável por desvalorização severa das commodities na semana passada, perdeu força, permitindo uma reacomodação de preços de produtos agrícolas, de metais e do petróleo. Esse movimento pôs ações de empresas como Petrobras, Vale, siderúrgicas e fabricantes de papel e celulose de volta no alvo de ordens de compra na Bovespa, explicou Sérgio Dória, diretor da Intra Corretora. Em São Paulo, o presidente da Vale, Roger Agnelli, disse que o ciclo de alta das commodities ainda vai continuar por um bom tempo. As ações preferenciais da Petrobras, as de maior peso no índice, subiram 5,3%, a R$ 73,70. As preferenciais da Vale avançaram 2,8%, a 47,58 reais. O Ibovespa também foi impulsionado pelos papéis de bancos, liderados pelas units do Unibanco, que deram um salto de 5,4 por cento, a 21,66 reais. "Isso é por causa do desmentido sobre restrições para crédito", disse Dória, referindo-se às declarações feitas na segunda-feira pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, negando interesse do governo em tomar medidas para limitar financiamentos para conter o consumo excessivo. Com essa combinação, a bolsa paulista ignorou o movimento instável dos mercados de Wall Street. O índice industrial Dow Jones, da Bolsa de Nova York, caiu 0,13 por cento. Pela manhã, o Conference Board divulgou que o nível de confiança do consumidor norte-americano caiu para o menor nível em cinco anos. CESP As ações preferenciais da CESP destoaram completamente do movimento positivo da Bovespa e mergulharam numa queda de 21 por cento, a 30,61 reais. A queda seguiu-se ao anúncio de que o leilão de desestatização da geradora paulista de energia, marcado para quarta-feira, foi cancelado pelo governo do Estado, após saber que nenhuma das empresas interessadas depositou as garantias para participar da compra, em meio a incertezas sobre a renovação de concessões de hidrelétricas da companhia.

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