Bovespa descola de NY, sobe e supera 70 mil pontos

A boa performance de Petrobras e dos bancos deu suporte à Bovespa, que escapou da influência negativa de Wall Street e cravou a quarta sessão seguida no azul, fechando o trimestre perto da máxima em 2010.

ALUÍSIO ALVES, REUTERS

31 de março de 2010 | 17h55

Com uma alta de 0,59 por cento, o Ibovespa fechou o dia apontando 70.371 pontos, o maior patamar em 11 semanas. O giro do pregão foi de 6,46 bilhões de reais.

Segundo profissionais do mercado, boa parte do movimento positivo da sessão deveu-se às compras de gestores de fundos, para garantir a rentabilidade de carteiras atreladas a índices. No mês, o Ibovespa subiu 5,8 por cento, marcando o melhor mês desde novembro. No ano, o ganho acumulado é de 2,6 por cento.

Valendo-se da alta do barril do petróleo para cima dos 83 dólares, os investidores centraram as compras em Petrobras, cuja ação preferencial subiu 1,7 por cento, a 35,39 reais. Mas outros papéis com forte peso no índice, como bancos e siderúrgicas, também tiveram ganhos.

Individualmente, TAM foi a líder do Ibovespa, avançando 7,04 por cento, a 30,40 reais. A empresa reportou na terça-feira à noite que teve um lucro de 143,9 milhões de reais no quarto trimestre de 2009.

Nesta manhã, a companhia aérea disse esperar um aumento de pelo menos 5 por cento no preço de passagens do mercado doméstico em 2010 e que vai propor a criação de uma holding a ser comandada por seu ex-presidente Marco Antonio Bologna.

"Mantemos a recomendação de compra para umas das melhores oportunidades do setor de transportes no atual momento", disse a Planner Corretora, em relatório, após os dados da companhia.

Outro destaque positivo foi Klabin, valorizada em 3,2 por cento, a 5,47 reais. A empresa afirmou nesta terça-feira que deverá produzir até 710 mil toneladas de papel cartão em 2010, contra meta inicial de 630 mil toneladas.

Ainda, JBS evoluiu 3,25 por cento, para 7,95 reais. A empresa informou na véspera que desistiu da oferta secundária dentro da oferta pública de ações que anunciou há algumas semanas.

A combinação de notícias positivas corporativas no cenário doméstico deu fôlego para a Bovespa descolar do pessimismo que predominou nas bolsas norte-americanas após a divulgação de que o setor privado dos Estados Unidos eliminou 23 mil empregos em março.

MAIS GANGORRA

Pelo que se pode depreender das previsões de analistas, a tendência da bolsa nos próximos meses é de indefinição.

"A crise na zona do euro, pelo menos momentaneamente, está resolvida; as empresas de metais estão bem na foto e não deve haver mudança dramática dos juros no curto prazo", disse Hamilton Moreira, analista sênior do BB Investimentos. "A tendência das ações é para cima".

Segundo ele, essa leitura tem lastro no movimento dos investidores estrangeiros, que ampliaram sua exposição a ações brasileiras em 2,55 bilhões de reais em março até dia 26, após dois meses seguidos de saída líquida.

Já para Miguel Daoud, diretor da Global Financial Advisor, o mercado antecipou de forma muito agressiva em 2009 o ciclo de retomada da economia global, situação que ainda não se confirmou. Por isso, diz, uma correção mais forte se avizinha.

"O horizonte não é nada animador", resume.

NOVO IBOVESPA

Na quinta-feira, a Bovespa divulga a primeira prévia da carteira do Ibovespa que valerá de maio a agosto. A expectativa de analistas é de que o portfólio registre a entrada de Cielo e o aumento do peso de OGX.

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