Bovespa descola de Wall St e cai ao menor nível em 1 mês

A Bovespa aumentou o descolamento em relação aos mercados internacionais na quinta-feira, puxada pelas perdas das ações dos setores domésticos de construção e varejo.

REUTERS

27 de janeiro de 2011 | 18h47

O Ibovespa, principal índice das ações brasileiras, teve queda de 0,96 por cento, a 68.050 pontos. É o menor patamar de fechamento desde 28 de dezembro. O giro financeiro do pregão foi de 6,4 bilhões de reais.

Assim como na quarta-feira, o mercado caminhou na contramão das bolsas internacionais. Os principais índices das bolsas de Nova York operavam no azul a poucos minutos do fechamento.

Por aqui, a queda mais pronunciada se concentrou nos segmentos de construção e de varejo, que têm sido preteridos pelos investidores por causa da exposição a um possível aumento mais forte dos juros.

Pela manhã, o Comitê de Política Monetária (Copom) divulgou a ata da reunião realizada na semana anterior, após a qual decidiu elevar o juro do país em 0,5 ponto, para 11,25 por cento ao ano, afirmando que ainda vê riscos decorrentes do descompasso entre a oferta e a demanda.

Fabio Romero, sócio da Brava Investimentos, acredita que a razão mais plausível para o descolamento da bolsa nesta sessão seja o rompimento de um nível técnico de baixa.

"O mercado acabou rompendo um suporte importante nos 68.500 pontos e a pressão vendedora ganhou mais força", disse.

Segundo ele, também pode estar ocorrendo um ajuste da carteira de investidores estrangeiros, com a saída de capitais no Brasil para a aplicação em outros mercados emergentes, como na Ásia.

De acordo com dados da BM&FBovespa, o saldo do investimento estrangeiro no mês continua positivo, mas caiu a 1,298 bilhão de reais até o dia 24, ante 1,425 bilhão de reais na última sexta-feira.

O analista de um banco de investimento estrangeiro, que preferiu não ser identificado, citou ainda que muitos investidores têm mostrado cautela diante de algumas incertezas sobre as medidas do governo nas áreas fiscal e cambial.

"Falo com muita gente de Bovespa e o pessoal está bem devagar", comentou. Entre as incertezas está o tamanho do corte nos gastos públicos --inversamente proporcional à necessidade de um aumento dos juros-- e a possibilidade de novas medidas que restrinjam o investimento estrangeiro no país para tentar frear a valorização do real.

Entre os destaques negativos do índice, Lojas Renner puxou a fila entre as varejistas, caindo 4,25 por cento, a 49,31 reais. No setor imobiliário, MRV tombou 3,3 por cento, a 14,07 reais.

OGX ampliou a trajetória de forte retração, caindo 3,9 por cento, a 18,19 reais. Mas a pior do dia foi Marfrig, recuando 4,95 por cento, a 14,21 reais.

Na ponta de cima do Ibovespa, a ação ordinária da Usiminas subiu 3 por cento, a 22,07 reais. CSN anunciou que estuda aumentar a participação na Usiminas.

(Reportagem de Silvio Cascione)

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