Bovespa despenca 11,39%; NY tem 2ª maior perda da história

Temores de recessão mundial aumentam com dados negativos, discurso de Bernanke e relatório do Fed

Da Redação,

15 Outubro 2008 | 17h36

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em queda de 11,39% - a maior em dez anos -, aos 36.833 pontos, nesta quarta-feira, 15, seguindo a piora nos mercados de Nova York após as declarações dadas pelo presidente do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), Ben Bernanke. Em Wall Street, o Dow Jones fechou em queda de 7,87%, a segunda maior em pontos da história do índice e a maior queda porcentual desde 1987. O SP-500 caiu 9,04% e o Nasdaq recuava 8,47%.   Veja também: Fed não descansará enquanto não resolver crise, diz Bernanke Consultor responde a dúvidas sobre crise   Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise A cronologia da crise financeira  Dicionário da crise    Destacando as ameaças ao crescimento econômico, Bernanke alertou que os mercados de crédito levarão tempo para descongelar e acrescentou que, mesmo se os mercados financeiros se estabilizarem, a economia não irá se recuperar logo em seguida. O Livro Bege do Fed também mostrou que a atividade econômica e o mercado de empregos sofreram um enfraquecimento em todos os 12 distritos do Federal Reserve em setembro.   No mercado de câmbio, o dólar fechou em alta de 3% nesta quarta-feira, 15, acompanhando a piora dos mercados acionários com o aumento dos temores de uma recessão econômica mundial. A moeda norte-americana fechou cotada a R$ 2,165, após ter chegado a disparar quase 5% durante o dia.   Já na Europa, as bolsas de valores mergulharam quase 7% nesta quarta-feira, rompendo o rali acentuado dos últimos dois dias, na esteira do aumento dos temores de que as medidas dos governos para combater a crise de crédito não impeçam a economia global de entrar em recessão. O índice FTSEurofirst 300, que reúne as principais ações do continente, despencou 6,46%, para 903 pontos. O indicador, que já acumula queda de 40% neste ano, subiu 10% na segunda-feira e 3,1% na terça-feira.   Os investidores liquidaram ações de mineradoras e o índice DJ Stoxx de matérias-primas desabou 15,5%, pressionado por queda dos preços das commodities a partir das preocupações com a recessão. Os papéis da Rio Tinto desabaram 16,6% e os da Anglo American despencaram 20,12%. As ações de grupos industriais também foram golpeadas, com os papéis da ABB caindo 11,3% e as da Siemens recuando 14,04%.   "É o início do fim da crise financeira, mas mais além está se revelando a recessão global", disse Emmanuel Morano, diretor de administração de ativos na La Francaise des Placements, em Paris. "Os temores de uma recessão global são justificados e têm sido precificados muito rapidamente. Os valores de mercado das empresas no setor de matérias-primas são apocalípticos."   Os dados desanimadores sobre as vendas no varejo nos Estados Unidos, que apresentaram o maior declínio mensal em mais de três anos, contribuíram com o pessimismo desta quarta-feira. As ações do setor de energia também caíram, à medida que os preços do petróleo recuaram para cerca de 75 dólares o barril. Os papéis da Total tiveram baixa de 6,9% e os do BP, desvalorização de 7,27%.   Em Londres, o índice Financial Times mergulhou 7,16%, a 4.079 pontos. Em Frankfurt, o índice DAX desabou 6,49%, para 4.861 pontos. Em Paris, o índice CAC-40 despencou 6,82%, para 3.381 pontos.   Em Milão, o índice Mibtel encerrou em queda de 4,95%, a 16.840 pontos. Em Madri, o índice Ibex-35 registrou recuo de 5,06%, para 9.706 pontos. Em Lisboa, o índice PSI20 teve desvalorização de 3,06%, para 7.008 pontos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.