Coluna

Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Bovespa despenca até 6% e dólar dispara

O risco Brasil - que mede a desconfiança do investidor estrangeiro na capacidade de pagamento da dívida do país - disparou, subindo 16,39%, para 213 pontos-base

26 de julho de 2007 | 15h47

O nervosismo cresceu no mercado financeiro na tarde desta quinta-feira, 26, por conta do aumento à aversão ao risco. O movimento foi provocado pelo receio de que os problemas com o mercado de crédito imobiliário subprime nos Estados Unidos - direcionado a pessoas com alto risco de calote - contamine outros setores da economia do País.   No pior momento, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) chegou a cair 6%. Às 15h45, a baixa é de 5,45%. O dólar comercial está em alta de 3,48%, vendido na cotação máxima desta quinta, em R$ 1,9320. O risco Brasil - que mede a desconfiança do investidor estrangeiro na capacidade de pagamento da dívida do país - disparou, subindo 16,39%, para 213 pontos-base.   Os investidores se desfazem de posições em mercados emergentes para adquirem títulos do tesouro americano Treasuries. Com isso, a demanda por estes papéis aumenta. Os investidores aceitam um ganho menor em troca de segurança.   Com a fuga para a qualidade, as bolsas norte-americanas também sofrem. O Dow Jones - que mede o desempenho das ações mais negociadas em Nova York - cai 2,65%. A Nasdaq - bolsa que negocia ações do setor de tecnologia e internet - recua 2,76%.   Sinais de contágio   A notícia de que o fundo de hedge (que investe em ativos mais seguros) australiano Absolute Capital Group, especializado em obrigações de dívida com colateral (CDO), anunciou a seus investidores a suspensão dos resgates de dois de seus fundos, é motivo de tensão esta manhã. O Absolute Capital Group tem 50% de participação do holandês ABN Amro.   Os fundos Absolute Yield Strategies Funds e Capital Yield Strategies Fund NZD, que juntos possuem 200 milhões de dólares australianos investidos, suspenderam os resgates por parte dos investidores até 25 de outubro, devido à "atual ausência de liquidez nos mercados globais de crédito estruturado".   Nesta semana, um outro fundo australiano, o Basis Capital apontou o Blackstone Group, dos EUA, para atuar como conselheiro financeiro em dois de seus fundos, numa tentativa de evitar uma venda adversa de seus ativos.   Os resultados favoráveis de empresas divulgados nos EUA entre ontem e hoje estão ficando em segundo plano, diante das crescente preocupações com a extensão da crise no mercado de hipotecas de alto risco.   Nos EUA, as construtoras norte-americanas de imóveis Beazer Homes e a D.R. Horton anunciaram prejuízo trimestral, refletindo a desaceleração do setor imobiliário nos EUA. Os mercados examinam os comentários feitos pela Beazer, de que não sabe quando as condições "desafiadoras" do mercado irão melhorar e pela Horton, que destacou os padrões de crédito mais rígidos atuais da indústria hipotecária.   O preço do petróleo nos EUA chegou a superar US$ 77 o barril, o maior patamar em 11 meses e voltou a operar no mesmo nível do Brent londrino. Analistas e traders ressaltaram que o movimento é puramente especulativo, depois que os relatórios sobre os estoques norte-americanos foram interpretados como neutros para a maioria.

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