Bovespa despenca em dia nervoso

As oscilações das Bolsas norte-americanas desorientou o mercado doméstico nesta segunda-feira. As bolsas em Nova York despencaram depois do evasivo pronunciamento do presidente americano George Bush, na tentativa de acalmar os investidores, mas os indicadores fecharam melhores, o que não foi suficiente para aliviar as quedas no mercado brasileiro.Bush ignorou as denúncias de que teria se beneficado de informações privilegiadas, em 1990, ao vender ações da empresa Harken Energy, da qual era sócio e consultor, antes do anúncio oficial de resultados desfavoráveis. O presidente dos EUA limitou-se a dizer que o mercado acionário vive hoje uma espécie de ressaca da euforia dos anos 90. Sobre os escândalos contábeis, Bush pediu que os executivos utilizem os padrões mais elevados de ética e ressaltou ao Congresso a necessidade de finalizar uma nova legislação para fraudes corporativas antes do recesso em agosto.As palavras do presidente não surtiram efeito no mercado; ao contrário, os indicadores pioraram após seu pronunciamento. Contudo, na última hora dos negócios os compradores reapareceram nos pregões, incentivados por uma pesquisa do Instituto Gallup. A pesquisa mostrou que a taxa de aprovação a Bush permanece elevada, apesar das acusações - nada menos que 73% dos entrevistados aprovam a atuação de Bush como presidente, ante 76% da pesquisa de duas semanas atrás. Também ajudou na recuperação a expectativa com o depoimento do presidente do Fed, Alan Greenspan, amanhã no Comitê de Bancos do Senado.O mercado europeu, que fechou antes da recuperação novaiorquina, viveu um dia muito difícil. A Bolsa de Londres levou um tombo de 5,44%, voltando ao menor nível desde 1996. Paris caiu 5,40% e Frankfurt recuou 5,28%. O euro foi o único beneficiado do tiroteio: era cotado a US$ 1,0032 às 17h15, ultrapassando a paridade pela primeira vez em mais de dois anos.O efeito desta confusão sobre o mercado brasileiro foi tremendo. Os investidores já vinham com um pé atrás por causa da pesquisa Ibope para a sucessão presidencial, que será divulgada amanhã. Segundo rumores, a pesquisa deve confirmar forte crescimento do candidato Ciro Gomes (Frente Trabalhista) sobre José Serra (PSDB-PMDB). O esboço de crash em Nova York foi a má notícia que faltava para a Bovespa. A Bolsa, aliás, nem teve espaço para comemorar a isenção da CPMF, que teve início hoje.E as oscilações de hoje arranharam seriamente as apostas do mercado em queda da taxa Selic, a taxa básica referencial da economia, atualmente em 18,5%, que será objeto da reunião mensal do Comitê de Política Monetária (Copom) na quarta-feira. Se já não eram majoritárias, elas encolheram mais ainda. Mesmo quem admitia a hipótese de queda já vacilava hoje cedo frente à pressão sobre o dólar.O dólar comercial foi vendido a R$ 2,8520 nos últimos negócios do dia, em alta de 1,46% em relação às últimas operações de ontem, oscilando entre R$ 2,8260 e R$ 2,8720. Com o resultado dessa sexta-feira, o dólar acumula uma alta de 23,14% no ano e 1,13% em julho.No mercado de juros, os contratos de DI futuro com vencimento em janeiro de 2003 negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros pagam taxas de 23,000% ao ano, frente a 22,750% ao ano ontem. Já os títulos com vencimento em julho de 2003 têm taxas de 26,250% ao ano, frente a 26,300% ao ano negociados ontem.A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em queda de 3,05% em 10633 pontos e volume de negócios fraco, de 387 milhões. Com o resultado de hoje, a Bolsa acumula uma baixa de 21,68% em 2002 e 4,54% só em julho. Das 50 ações que compõem o Ibovespa - índice que mede a valorização das ações mais negociadas na Bolsa -, apenas 10 apresentaram altas. O principal destaque foram os papéis da Embratel, com temores de que a empresa possa falir com a entrada de operadoras locais no mercado de chamadas de longa distância. As ações PN (preferenciais, sem direito a voto) caíram 15,03% e as ON (ordinárias, com direito a voto), 10,23%. Mercados internacionais Em Nova York, o clima foi de alívio e recuperação. O Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em queda de 0,52% (a 8639,2 pontos), e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - subiu 0,66% (a 1382,62 pontos). Às 18h30, o euro estava cotado a US$ 1,0027; uma alta de 0,93 %. Na Argentina, o índice Merval, da Bolsa de Valores de Buenos Aires, fechou em baixa de 2,44% (361,99 pontos). Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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