Bovespa dobra de valor em 2009

Apesar da alta, em dólar, bolsa ainda está longe dos 70 mil pontos registrados no nível mais alto do ano passado

Renée Pereira, O Estadao de S.Paulo

15 de setembro de 2009 | 00h00

A Bolsa de Valores de São Paulo (BM&F Bovespa) não só ignorou o aniversário de um ano da quebra do banco americano Lehman Brothers como superou a marca de 100% de valorização em dólar em 2009, com 101,9% de ganho. No pregão de ontem, o principal índice da bolsa paulista, o Ibovespa, fechou em alta de 0,86%, nos 58.867 pontos, o maior nível desde 31 de julho de 2008, bem antes da crise se espalhar.

Segundo levantamento da empresa de informações financeiras Economática, se comparado à mínima do Ibovespa, ocorrida em 21 de novembro do ano passado, o ganho sobe para 151,3% por causa da valorização do real ante o dólar. Ontem, a moeda americana caiu 0,77%, para R$ 1,813.

Em reais, a valorização do Ibovespa é um pouco menor, mas bastante expressiva. No ano, o ganho está em 56,77%. Já em relação à mínima, a valorização chega a 100%.

Embora ainda esteja longe dos 70 mil pontos alcançados em maio de 2008, especialistas consideram que as perdas ocorridas por causa da crise financeira já foram recuperadas.

"Pouquíssimos índices estão com valorizações semelhantes aos do Brasil", destacou a economista da Tendências Consultoria Integrada Alessandra Ribeiro. Segundo ela, até a tarde de ontem, apenas o Índice de Jacarta (Indonésia) e o RTS, da Rússia, estavam com valorização superior a 100% em dólar.

O cenário traçado pela economista é bastante otimista para os próximos meses, já que as notícias no ambiente doméstico são boas. Isso não significa que não haverá realização de lucros.

"Afinal, com 100% de valorização, os investidores vão querer embolsar algum lucro. Mas não deverá ser um movimento maciço de retirada de dinheiro aqui. Até porque não tem para onde ir."

Para o economista da Opus Investimentos José Márcio Camargo, as taxas de juros em todo o mundo estão muito baixas, o que é um ponto favorável para a bolsa brasileira, num momento de grande liquidez no mercado internacional.

Ele, no entanto, vê com preocupação o desempenho da BM&F Bovespa este ano. "A análise que temos de fazer é se esse movimento tem a ver com a evolução da economia brasileira ou se é efeito da liquidez excessiva, que cria bolhas em vários mercados. Mas, neste momento, ainda é difícil saber a resposta para essa questão."

Na opinião de Alessandra, da Tendências, o movimento rumo ao Brasil deve persistir, pelo menos até o fim deste ano. Em 2009, o saldo de investimento estrangeiro na bolsa brasileira é de R$ 13 bilhões, o maior dos últimos anos. "O Brasil é a bola da vez, a menina dos olhos dos investidores."

Ela acredita que o único ponto contra o Brasil é a parte fiscal. "O aumento dos gastos públicos e o viés intervencionista adotado pelo governo nos últimos meses pode elevar o prêmio de risco do País. Mas não acredito que isso será percebido pelos investidores no curto prazo. É uma preocupação mais para o médio prazo", alertou a economista.

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