Bovespa ensaia recuperação, mas ambiente externo é ruim

Bolsa de São Paulo consegue sustentar alta nesta sexta, apesar de recorde do petróleo e oscilação em NY

Patrícia Fortunato, da Agência Estado,

27 de junho de 2008 | 12h52

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) busca recuperação nesta sexta-feira, 27, mas o ambiente externo continua ruim, com o petróleo acima da marca de US$ 142 por barril pela primeira vez na história. No entanto, depois de ter caído 2,89% na quinta, retrocedendo ao mesmo nível de preços de abril, o índice Bovespa ensaia uma reação.  Às 12h47, o Ibovespa avançava 0,76% a 64.433 pontos. Analistas observam que o fato de ser o penúltimo pregão do primeiro semestre pode contribuir para o mercado tomar um fôlego e há ainda o fato de que a queda de quase 12% em junho abre oportunidades de compras em alguns papéis. Mas uma melhora mais consistente do mercado de ações brasileiro vai depender do apetite dos investidores estrangeiros. Por ora, o movimento de aversão ao risco prossegue. No mês, o saldo de capital externo na Bovespa subiu para R$ 7,4 bilhões (negativo) e no ano a saída chega a R$ 6,644 bilhões. As bolsas norte-americanas operam com volatilidade nesta sexta-feira e já alternaram altas e baixas, divididas entre o bem recebido dado de consumo pessoal (PCE) em maio, o petróleo acima de US$ 140,00 por barril e o contínuo pessimismo com o setor financeiro. Por volta das 11h45, o índice Dow Jones caía 0,32%, o Nasdaq cedia 0,19% e o S&P 500 avançava 0,16%.  Em maio, o índice de preços de gastos com consumo (PCE) subiu 0,4% ante abril, o dobro do mês anterior, mas ficou em linha com a previsão dos analistas. O núcleo do PCE, que exclui energia e alimentos, avançou 0,1% - a estimativa era de alta de 0,2%. O dado em linha reduz em parte as preocupações com inflação e pode impulsionar as ações.  Também divulgado nesta sexta, o sentimento do consumidor da Universidade de Michigan caiu para 56,4 em maio, menor nível desde 1980. Desde o começo do mês, o Dow Jones perdeu 9,38%, no que ameaça ser o pior mês de junho desde 1930, no começo da Grande Depressão. No âmbito doméstico, a inflação de junho pelo Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) não trouxe alívio, piorando o clima no mercado futuro de juros na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), que já teme elevação maior da taxa Selic (juro básico da economia brasileira, hoje em 12,25% ao ano). O IGP-M de junho registrou alta de 1,98%, acumulando inflação de 13,44% no período de 12 meses e de 6,82% no primeiro semestre deste ano.

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