Bovespa estuda participação em mercado global

Os mercados de ações de Nova Iorque, São Paulo, Amsterdã, Bruxelas, Paris, Hong Kong, México, Tóquio, Austrália e Toronto anunciaram que estão estudando a criação de um mercado acionário global (MAG), que deverá funcionar 24 horas por dia. Se chegar a ser fundado, o MAG controlará 60% do total das transações acionárias e deverá interconectar os pregões por meio de sistemas eletrônicos. Na primeira etapa, só participará dessa bolsa mundial um número reduzido de companhias, que assegurará a estabilidade e a solvência. Porém, o projeto inclui a ampliação de todas as ações que atualmente são negociadas nesses pregões. Com o projeto em funcionamento, as ações das empresas ganham maior liquidez, pois poderão ser negociadas em vários pregões e por um número maior de investidores.O projeto, ainda em fase inicial, está aberto a outros mercados de valores que queiram se incorporar, aceitando o princípio de que o MAG buscará a transparência, a liquidez e a redução do custo das transações nas bolsas. O MAG teria como concorrente o International Exchange (IX), outro projeto destinado a unir as operações realizadas no mercado eletrônico Nasdaq com os pregões de Londres e Frankfurt e outros. Bovespa deve aderir ao sistema Em São Paulo, o presidente da Bolsa de Valores de São paulo (Bovespa), Alfredo Rizkallah, explicou que o acordo será importante para revitalizar o mercado acionário brasileiro que vem perdendo liquidez - facilidade de negociação - nos últimos tempos por conta dos altos custos de transação. Para ele, a bolsa global será positiva para os mercados emergentes na medida em que funcionará como vitrine para os investidores internacionais. O fato de a Bovespa participar do MAG poderá sensibilizar o governo para promover alterações na legislação e no sistema tributário que hoje emperram o desenvolvimento do mercado de ações local. De acordo com reportagem de Aline Cury Zampieri, estão suspensas momentaneamente as negociações da Bovespa para uma união com a Nasdaq. As conversações para a criação dessa bolsa foram iniciadas há cerca de um ano mas, de acordo com Rizkallah, a Bolsa paulista optou pelo mercado global devido à semelhança entre os sistemas de negociação. Analistas brasileiros viram com otimismo o anúncio, mas lembram que há obstáculos para colocar o mercado global em funcionamento. Pedro Thomazoni, do Lloyds TSB, lembra que algumas particularidades da legislação podem dificultar a integração da bolsa paulista ao processo, como a cobrança da CPMF e as restrições para fundos de investimento e de pensão tenham papéis estrangeiros em suas carteiras.

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