Bovespa fecha em forte queda por CPMF e cenário externo

Bovespa fechou em queda de 2,90%. Dólar encerrou a sessão com valorização de 0,45%, a R$ 1,7820

Reuters,

13 de dezembro de 2007 | 18h14

O clima de estresse no mercado norte-americano e a derrota do governo brasileiro na tentativa de prorrogar a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) derrubaram a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) nesta quinta-feira, 13. O Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, fechou em queda de 2,90%, aos 62.861 pontos, voltando ao patamar observado no final de novembro. O volume financeiro foi de R 6,4 bilhões. No mercado cambial, o dólar fechou em alta nesta quinta-feira, também influenciado pela rejeição da CPMF no Senado e pelo mau humor nos mercados externos. A moeda norte-americana encerrou a sessão com valorização de 0,45%, a R$ 1,7820. Veja também:   CPMF: da origem ao fim  Governo anuncia pacote pós-CPMF na semana que vem, afirma Mantega Plano B pode ser aumentar IOF e cortar despesas Senado derruba CPMF. Dê sua opinião   Governo sai derrotado e Senado derruba prorrogação da CPMF   A dia foi marcado por incertezas sobre os desdobramentos da crise global de crédito e pela expectativa sobre como o governo vai compensar a perda de receitas com a CPMF, cuja prorrogação foi rejeitada pelo Senado na madrugada de quinta-feira. Os investidores ficarão atentos ao pacote de medidas que deve ser anunciado pelo governo na próxima semana. As medidas têm o objetivo de garantir o crescimento econômico, diante do fim da arrecadação da CPMF. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, não adiantou nenhuma das medidas, mas disse que elas têm o objetivo de minimizar a perda da arrecadação, sem prejuízo para as contas do governo. Contudo, Mantega disse que o governo terá que rever seus planos para a área de saúde e que o anúncio da nova política industrial está suspenso.   "Em nenhum momento, vamos mexer na equação fiscal do País", garantiu. Segundo ele, o governo vai manter a política de responsabilidade fiscal. Segundo ele, será um conjunto de medidas que se complementam e serão apresentadas ao presidente Luiz Inácio lula da Silva quando ele retornar de viagem ao exterior. O ministro disse que o presidente o incumbiu de produzir essas medidas e elas terão ainda que ser submetidas à aprovação de Lula.   Ele lamentou que a Saúde tenha perdido uma grande oportunidade de ter um acréscimo substancial de recursos nos próximos anos. Ele calculou esse acréscimo em R$ 40 bilhões nos próximos três anos. Mantega destacou que desde o início o governo tentou uma solução negociada. Disse que até último momento o governo tentou contemplar todos os interesses e foi ao seu limite quando colocou todos os recursos da CPMF para a saúde.   Grau de investimento   Apesar da perda da arrecadação com a CPMF, as agências de classificação de risco não devem mudar a perspectiva positiva em relação à economia brasileira. Tanto a Standard & Poor's quanto a Moody's já disseram que, se o governo manter o controle das contas do País, nenhuma avaliação negativa será feira.   O analista sênior da Moody's, Mauro Leos, afirmou em entrevista à Agência Estado, de Nova York, que é um bom sinal o compromisso do ministro da Fazenda de que o governo manterá as metas fiscais para o próximo ano, que incluem o superávit primário - arrecadação menos despesas, exceto o pagamento de juros - de 3,8% do PIB.   Também a diretora do departamento de rating soberano da agência de classificação de risco Standard &Poor's, Lisa Schineller, explicou que o fim da arrecadação da CPMF não significa que haverá um atraso na conquista pelo Brasil do almejado grau de investimento. Lisa disse que a conquista do grau de investimento "depende da reação do governo e de como será o ajuste do Orçamento sem a CPMF".

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