Bovespa fecha estável; Espanha e Grécia preocupam

A Bovespa reduziu as perdas e encerrou o pregão desta quarta-feira praticamente estável, com a crescente preocupação com a situação fiscal da Espanha e Grécia pesando nos mercados externos e motivando investidores a fugir de ativos de risco.

DANIELLE ASSALVE, Reuters

26 de setembro de 2012 | 17h51

O Ibovespa teve variação negativa de 0,04 por cento, a 60.478 pontos, após ter chegado a cair 1,28 por cento na mínima intradiária. Segundo operadores, a melhora do mercado foi um ajuste após o forte recuo da véspera, de 2,3 por cento. O giro financeiro do pregão foi de 7,26 bilhões de reais.

"A bolsa está dependente das notícias vindas da Europa, onde as coisas pioraram nos últimos dias, especialmente na Espanha", disse o economista Gustavo Mendonça, da Saga Capital, no Rio de Janeiro. "O índice deve continuar um pouco refém do cenário externo."

Violentos protestos em Madri e conversas de separatismo na Catalunha reforçaram temores entre investidores com relação à capacidade da Espanha de implementar medidas de austeridade, tendo em vista um resgate soberano.

Além disso, uma greve geral na Grécia e sinais de discórdia entre as principais autoridades da zona do euro sobre como resolver a crise do país trouxeram preocupação adicional aos mercados.

Em Wall Street, o índice Dow Jones fechou em queda de 0,33 por cento, enquanto o S&P 500 caiu 0,57 por cento. Mais cedo, o principal índice europeu de ações registrou baixa de 1,86 por cento.

Por aqui, as ações da OGX pesaram no Ibovespa, com queda de 1,4 por cento, a 6,35 reais, seguidas por Fibria, que perdeu 6,34 por cento, a 17,87 reais --foi a maior queda diária do papel em um ano.

Em relatório, o JP Morgan recomendou a seus clientes nesta quarta-feira uma operação de venda das ações de Fibria e compra de Domtar, que atua no segmento de papel e celulose nos Estados Unidos e Canadá.

Dentre as blue chips nacionais, a preferencial da Vale subiu 0,31 por cento, a 35,94 reais, e a da Petrobras teve leve alta de 0,13 por cento, a 22,77 reais.

As ações ordinárias da Usiminas lideraram os ganhos do Ibovespa, com alta de 4,44 por cento, a 12,22 reais, movimento definido por operadores como uma correção após o forte tombo da véspera.

Apesar dos movimentos de realização de lucros observados na bolsa brasileira nas últimas sessões, analistas avaliam que a tendência para o índice ainda é de alta.

"Agora é esperar um fato positivo que possa desencadear um novo avanço do índice, especialmente notícias melhores da Europa", afirmou o analista Ivo Moreira, da Banrisul Corretora, em Porto Alegre.

Segundo pesquisa da Reuters publicada nesta quarta-feira, o Ibovespa deve chegar a 65 mil pontos no fim de 2012, considerando a mediana das estimativas de 30 profissionais de mercado.

(Por Danielle Assalve)

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