Bovespa fecha no menor nível desde o fim de novembro

O mercado acionário brasileiro voltou a fechar com o seu principal índice no vermelho nesta quinta-feira, afetado pelo desmonte de posições nas principais bolsas internacionais e no segmento de commodities. O ajuste decorre do recente fortalecimento do dólar no ambiente global.

PAULA LAIER, REUTERS

17 de dezembro de 2009 | 19h01

O Ibovespa encerrou a quinta-feira em queda pelo terceiro dia seguido, de 2,27 por cento, aos 67.067 pontos, no menor patamar desde o fim de novembro. O volume do pregão totalizou 7,35 bilhões de reais.

De acordo com o operador de uma corretora em São Paulo, que pediu anonimato, a cada declaração do Federal Reserve no sentido de melhora da economia dos Estados Unidos, mesmo comprometendo-se a manter o juro em nível recorde de baixa por período prolongado, diminui a disposição de alocação em ações.

Na véspera, no comunicado que acompanhou a decisão de manter a taxa básica de juros norte-americana entre zero e 0,25 por cento, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Fed citou que "a atividade econômica continuou crescendo" e "a deterioração no mercado de trabalho está arrefecendo".

Uma vez que o Fed vê retomada, os estímulos de governos e bancos centrais à economia tendem a diminuir, o que resultaria em uma menor liquidez no ambiente internacional.

Isso abre espaço para realização de lucros, tendo em vista os fortes ganhos com ações desde o início do ano.

"Trata-se de uma desalavancagem global, e não só de bolsa, como também em commodities", destacou o profissional, explicando que isso se reflete na valorização do dólar frente a uma série de moedas internacionais.

No início da noite, o índice Reuters-Jefferies recuava 0,94 por cento, enquanto o dólar apreciava-se 0,92 por cento ante uma cesta com as principais divisas globais. Em Wall Street, o índice Dow Jones cedia 1 por cento pouco antes do fechamento.

A principal pressão de queda no Ibovespa veio das blue chips Petrobras e Vale. A preferencial da estatal petrolífera cedeu 2,61 por cento, a 36,87 reais, enquanto a da mineradora recuou 3,42 por cento, para 41,45 reais.

O setor bancário também pesava, após o Conselho Monetário Nacional (CMN) revogar na vespera medida sobre provisão adicional, o que poderia ter impacto negativo sobre o cálculo do índice de Basileia das instituições financeiras. As ações ordinárias do Banco do Brasil, por exemplo, perderam 3,92 por cento, a 29,45 reais.

Fora do índice, vale destacar a alta de 14,06 por cento, a 18,25 reais, das ações do laboratório Fleury, que estrearam no pregão nesta quinta-feira, após oferta de ações que movimentou 630,2 milhões de reais.

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