Bovespa Fix pode estimular o uso de debêntures

Analistas de mercado acreditam que o lançamento do Bovespa Fix será um importante estímulo para o desenvolvimento das negociações com títulos privados de renda fixa no País. O consultor Sérgio Malacrida, do escritório Prandini, Rabbat, disse que o sistema pode, inclusive, incentivar a colocação de debêntures nas carteiras dos fundos de renda fixa. De acordo com ele, os fundos utilizam pouco esse tipo de papel hoje porque têm dificuldades para precificá-lo. Malacrida disse que outro fator que inibe a utilização dos papéis pelos fundos é a baixa negociabilidade do mercado. "Se um fundo compra uma posição hoje, tem de carregá-la até a data do resgate das debêntures (título de renda fixa emitido por sociedade anônima para tomar empréstimo no mercado) porque não tem para quem vender." Para o consultor, a inauguração do Bovespa Fix pode amenizar parte desses problemas. "Ao criar um pregão de fato para as debêntures, a bolsa viabiliza as negociações." Segundo o consultor, é muito difícil um fundo ter hoje mais de 20% da sua carteira posicionada em debêntures. A Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid) também aprova o Bovespa Fix, mas não acredita que o novo sistema será suficiente para fazer o mercado decolar. O vice-presidente da associação, Marcelo Giufrida, afirmou que os problemas atuais são a baixa rentabilidade, poucas emissões novas e número reduzido de transações. "Pode ser que os negócios aumentem com o Bovespa Fix, mas só o tempo vai dizer." Giufrida acredita, no entanto, que o grau de transparência do mercado vai aumentar. Segundo ele, a divulgação online das cotações deixa o ambiente de negociação mais consistente.

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