Bovespa ignora alta das commodities e recua 1%

O mercado brasileiro caminhou na contramão das bolsas norte-americanas nesta quarta-feira, com queda de 1 por cento do Ibovespa no mesmo dia em que o índice Standard & Poor's 500 atingiu o maior patamar em 29 meses.

SILVIO CASCIONE, REUTERS

26 de janeiro de 2011 | 19h47

O principal índice das ações brasileiras recuou 1,03 por cento, para 68.709 pontos. O giro financeiro do pregão foi de 6,83 bilhões de reais.

A alta de 1,6 por cento das commodities no mercado externo, que ajudou a impulsionar as ações nos Estados Unidos, não foi suficiente para sustentar a bolsa brasileira. Dentre as grandes empresas do setor, apenas a OGX subiu, 4,3 por cento, em um movimento de recuperação após a forte queda dos últimos dias.

A ação preferencial da Vale teve baixa de 0,53 por cento, a 52,46 reais. Petrobras PN teve queda de 0,63 por cento, a 26,83 reais.

"O mercado está descolado. Se você acompanha o fluxo estrangeiro, que é o único motivo que a gente está vendo, ele está na ponta de venda", disse Luiz Roberto Monteiro, assessor de investimentos da corretora Souza Barros.

De acordo com dados da BM&FBovepa, os investidores não-residentes reduziram a exposição a ações brasileiras na semana passada. O saldo do investimento estrangeiro no mês continua positivo, mas caiu a 1,425 bilhão de reais ao fim da terceira semana, ante 2,033 bilhões de reais uma semana antes.

As ações do setor imobiliário foram especialmente castigadas, com queda de 4,6 por cento de MRV, Rossi e PDG Realty. Os papéis do setor já têm sofrido desde a semana passada com a perspectiva de um crescimento menor do crédito neste ano.

A saída de investidores estrangeiros contrasta com a postura otimista revelada em alguns relatórios. O HSBC, por exemplo, elevou o Brasil a "overweight" (acima da média de mercado), recomendando a compra de ações da Petrobras, Vale, Gerdau, SLC Agrícola, CCR e Odontoprev.

Além disso, o JPMorgan estimou que os balanços corporativos do quarto trimestre de 2010 devem mostrar um aumento de 30,1 por cento do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês), acima da mediana de outros países da região.

"Esperamos um trimestre decente, que sustente a recente melhora nas expectativas de lucros. Isso vai dar mais suporte para a avaliação de preços das ações, dentro da atual volatilidade do mercado."

(Reportagem de Silvio Cascione; Reportagem adicional de Paula Laier)

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