Bovespa ignora corte da Selic, segue NY e cai 1,68%

Balanço ruim e a notícia de demissões na Microsoft não deu tempo para Bovespa comemorar corte nos juros

Claudia Violante, da Agência Estado

22 de janeiro de 2009 | 18h23

O mau humor externo não deu espaço para a Bovespa comemorar o corte de 1 ponto porcentual na taxa Selic, anunciado na quarta-feira à noite pelo Banco Central. O balanço ruim e a notícia de demissões na Microsoft, os dados fracos de pedidos de auxílio-desemprego e de construção de casas nos EUA e os estoques acima do esperado do petróleo empurraram os índices acionários para baixo.     Veja também: Banco público não pode ter juro maior que privado, diz Mantega Desemprego, a terceira fase da crise financeira global De olho nos sintomas da crise econômica  Dicionário da crise  Lições de 29 Como o mundo reage à crise     A Bovespa terminou a sessão em queda de 1,68%, aos 37.894,33 pontos. Na mínima, tocou os 37.255 pontos (-3,34%) e, na máxima, os 38.845 pontos (+0,78%). No mês, acumula alta de 0,92%. O giro financeiro totalizou R$ 3,587 bilhões. Os dados são preliminares.   O setor tecnológico foi destaque de baixa nos Estados Unidos por conta do balanço da Microsoft, que anunciou queda de 11% no lucro líquido do segundo trimestre fiscal (encerrado em 31 de dezembro) ante o mesmo período do ano anterior. A empresa também comunicou corte de até cinco mil vagas nos próximos 18 meses, em setores como pesquisa e desenvolvimento, vendas, finanças, jurídico, recursos humanos e tecnologia da informação. Às 18h18, as ações da Microsoft recuavam 11,35%.   Os investidores tinham o balanço da Apple (+1,9% no lucro líquido do quarto trimestre (primeiro trimestre fiscal)) para contrabalançar o impacto ruim da Microsoft, mas aí os números da Nokia desequilibraram a balança. A maior fabricante de celulares do mundo anunciou queda de 69% no lucro líquido do quarto trimestre de 2008.   Às 18h18, o Dow Jones recuava 2,29%, o S&P, 2,46%, e o Nasdaq, 3,23%. Mas as ações refletiam não só os balanços fracos como também os indicadores ruins que saíram hoje. Os pedidos de auxílio-desemprego nos EUA subiram em 62 mil na semana encerrada em 17 de janeiro, ante previsão de aumento de 26 mil, enquanto as construções de residências iniciadas nos EUA caíram 15,5% em dezembro (sexta queda consecutiva), ante previsão de declínio de 4%.   Os estoques de petróleo e derivados, por fim, subiram 6,1 milhões de barris na semana encerrada em 16 de janeiro, ante expectativa de aumento de 1 milhão de barris. Os estoques de gasolina cresceram 6,475 milhões de barris (previsão de +1,6 milhão), enquanto os estoques de destilados aumentaram 790 mil barris (previsão de -600 mil), indicando a retração na demanda por conta da desaceleração mundial.   Os preços do petróleo despencaram após o anúncio dos estoques e levaram a Petrobras a bater nas mínimas cotações do dia. No final, entretanto, ambos fecharam longe do piso de preços da sessão. O petróleo, inclusive, acabou subindo. O contrato para março negociado na Nymex terminou em alta de 0,28%, a US$ 43,67.   As ações da Petrobras recuaram 2,41% a ON e 2,56% a PN, garantindo grande parte da perdas do Ibovespa. Na última hora da sessão, com a diminuição da baixa em Wall Street, os papéis da estatal acompanharam e deram um pouco de trégua ao índice.   Hoje, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que os investimentos da Petrobras "são mais importantes do que o de qualquer outra empresa" e que é importante que todo o plano estratégico de investimentos da estatal seja concretizado.   Vale teve hoje um comportamento menos ruim do que o da Petrobras. A ação ON subiu 0,14% e a PNA recuou 0,46%. A mineradora propôs hoje aos sindicatos de mineração de minério de ferro de Minas Gerais e Mato Grosso do Sul a concessão de licença remunerada aos trabalhadores, sem a suspensão do contrato de trabalho.

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