finanças

E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Bovespa interrompe três altas e recua 1,32%

Bolsa foi influenciada pelas perdas das bolsas norte-americanas, que 'cansaram' os investidores

Claudia Violante, da Agência Estado,

18 de novembro de 2009 | 18h31

A Bovespa até tentou dar continuidade à escalada de alta iniciada na sexta-feira, 13. E conseguiu por um bom período da sessão, de novo amparada pelos ganhos dos papéis da Petrobrás. Mas as perdas das bolsas norte-americanas acabaram 'cansando' os investidores, que no meio da tarde se renderam às vendas. E isso acabou sobrando também para os papéis da petrolífera, que viraram a dez minutos do final e ampliaram as perdas do índice à vista.

 

O Ibovespa terminou o pregão em baixa de 1,32%, aos 66.515,66 pontos. Na mínima, registrou 66.494 pontos (-1,35%) e, na máxima, 68.060 pontos (+0,97%). No mês, a Bolsa acumula ganho de 8,08% e, no ano, de 77,14%. O giro financeiro totalizou R$ 6,405 bilhões. Os dados são preliminares.

 

O sinal negativo reverberou o dia todo em Wall Street, em razão de um indicador bem ruim do mercado imobiliário e de declarações do presidente Barack Obama. Ao invés do crescimento de 1,7% no número de obras residenciais iniciadas em outubro esperado pelos analistas, o indicador entregou uma queda de nada menos que 10,6%. O número de permissões para obras não foi muito melhor e caiu 4%, contrariando a previsão de alta de 0,9%.

 

Além disso, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pela primeira vez, admitiu em entrevista à Fox News a possibilidade de uma recessão dupla, na forma de W, caso a dívida do país continue crescendo - outra possibilidade dada a necessidade de estímulo à economia. Também não deu declarações muito otimistas sobre a economia o presidente do Fed de St. Louis, James Bullard, membro votante do Fomc no ano que vem, que apontou a possibilidade de as taxas de juros continuarem inalteradas até 2012.

 

O Dow Jones operava, às 18h21, em queda de 0,32%, o S&P recuava 0,24%, e o Nasdaq, 0,72%. Outro dado divulgado lá hoje foi o de inflação ao consumidor. O CPI subiu 0,3% em outubro em comparação a setembro, levemente acima da alta mensal de 0,2% registrada em setembro. O núcleo do CPI avançou 0,2% em outubro ante setembro. O aumento do índice cheio e do núcleo superou a previsão dos economistas, de alta de 0,2% e 0,1%, respectivamente.

 

Também foram conhecidos os dados semanais de estoques de petróleo do Departamento de Energia. E eles registraram quedas maiores do que as previsões: os estoques de petróleo caíram 887 mil barris, ante previsão de recuo de 600 mil barris. Os estoques de gasolina diminuíram 1,755 milhão de barris, ante expectativa de aumento de 100 mil barris; os de destilados baixaram 328 mil barris, ante estimativa de declínio de 500 mil barris.

 

Os preços do petróleo ampliaram os ganhos logo após os números de estoques, mas no final da tarde oscilaram e operaram em queda por alguns momentos. Fecharam em alta, mas bem mais tímida do que a vista no pico do dia. Na Nymex, o contrato para dezembro avançou 0,56%, para US$ 79,58.

 

As ações da Petrobrás subiram em boa parte do dia na esteira do petróleo e também em razão do noticiário sobre a empresa. Hoje, por exemplo, a consultoria Economática divulgou que a estatal encerrou o 3º trimestre deste ano com o segundo maior lucro entre as empresas de capital aberto dos Estados Unidos e América Latina. O lucro da companhia brasileira, de US$ 4,107 bilhões, ficou atrás apenas dos US$ 4,730 bilhões da ExxonMobil. A terceira colocada é a Chevron Texaco, com US$ 3,831 bilhões. A Vale, com lucro de US$ 1,689 bilhão nos três meses encerrados em setembro, ficou na vigésima segunda colocação no mesmo ranking. A petroleira e a mineradora foram as únicas empresas da América Latina citadas nesta lista. Todas as demais são norte-americanas.

 

Além disso, a Petrobrás anunciou a ampliação da Refinaria Potiguar Clara Camarão, no Rio Grande do Norte, com investimentos de US$ 215 milhões. E podemos citar ainda as previsões feitas pelo UBS para o petróleo: o banco suíço elevou suas projeções para a demanda e o preço da commodity, devido à desvalorização do dólar e ao crescimento da demanda da China. O preço do petróleo Brent neste ano passou de US$ 58,00 para US$ 63,00 o barril no cálculo do banco, enquanto o Brent deve chegar a US$ 79,00 nos próximos anos. O UBS também aumentou sua previsão de longo prazo para o petróleo WTI, de US$ 75,00 para US$ 80,00 o barril

 

Apesar disso tudo, o 'cansaço' que tomou conta do mercado à tarde teve reflexos sobre os papéis da Petrobrás. A PN cedeu às vendas a minutos do final e fechou em queda de 0,52%. Na máxima do dia, as ações tinham superado os 2% de ganhos. A ON recuou 0,84%.

 

Apesar da alta majoritária das commodities metálicas, Vale e siderúrgicas recuaram em bloco, assim como bancos. Vale ON recuou 1,72%, PNA, 2,31%, Gerdau PN, 1,27%, Metalúrgica Gerdau PN, 1,83%, Usiminas PNA, 0,46%, CSN ON, 1,48%.

Tudo o que sabemos sobre:
BovespaBolsa

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.