Bovespa: migração para EUA não devido ao custo

Estudo realizado pelo ABN Amro demonstra, ao contrário do que vem sendo repetido à exaustão por entidades representativas do mercado - como a Associação Brasileira das Companhias Abertas-, o custo de transação não é fator determinante para que os negócios tenham migrado para o mercado acionário norte-americano. Luiz Ribeiro, responsável pela gestão de fundos de investimento de renda variável do ABN Amro para toda a América Latina, exemplifica que o custo de compra de 100 mil ações da Petrobras na Bolsa brasileira (com o pagamento da CPMF) é praticamente igual ao da compra de ADRs (American Depositary Receipt) da estatal brasileira de petróleo na Bolsa de Nova York. A compra hipotética levou em consideração uma cotação do papel Petr3 a R$ 55,80 na Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) e a US$ 28,50 (ADR da Petrobras - PBR) na Bolsa de Nova York (Nyse). A taxa de corretagem considerada foi de R$ 2.815,21 no Brasil e de US$ 5 mil em Nova York. Os emolumentos ficaram em R$ 1.953,00 no Brasil e US$ 95,00 em Nova York. Os cálculos levaram em consideração o pagamento da CPMF apenas no Brasil. O resultado final da compra das 100 mil ações da Petrobras (convertido em reais foi de R$ 5.584.768,21 na Bolsa de Nova York) e de R$ 5.584.137,56 na Bovespa. Fatores que pesam Segundo ele, o baixo volume de negócios do mercado local acaba aumentando a parte do custo que não pode ser medida: o impacto da compra ou venda no preço de mercado. "Toda a vez que um grande investidor tenta se movimentar no mercado de baixa liquidez, ele acaba pressionando os preços", observa Luiz Ribeiro. O consultor Lélio Lauretti, sócio fundador do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa observa que o valor de mercado da Bolsa de Nova York chega a US$ 12 trilhões, contra apenas US$ 250 bilhões no Brasil. Somado a isso, segundo o presidente da Associação Nacional dos Investidores do Mercado de Capitais (Animec), Waldir Corrêa, outro fator que tem contribuído para afastar os investidores do mercado acionário é a falta de proteção aos acionistas minoritários, transparente na demora na aprovação da nova Lei das Sociedades Anônimas.

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