Bovespa opera baixo de 10 mil pontos

A tensão externa compromete uma melhora da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que rompeu já nos primeiros trinta minutos de pregão o suporte dos 10 mil pontos, voltando a trabalhar na casa dos 9 mil pontos. Às 10h50, o Ibovespa - índice que mede a valorização das ações mais negociada na Bovespa caía 1,40%, para 9.993 pontos. Segundo analistas, a Bolsa já havia precificado todas as notícias negativas relacionadas ao ambiente doméstico. "Mas agora qualquer melhora interna será ofuscada pelo pessimismo internacional", afirma o diretor de uma instituição financeira. Os bons números que vêm sendo apresentados pelo Brasil no balanço de transações correntes - há a expectativa de superávit em agosto, o que seria inédito desde setembro de 1994 - têm ajudado a desanuviar o ambiente. Mas mesmo que as expectativas sejam confirmadas, deverão ter efeito positivo reduzido, se o quadro externo continuar ruim. Segundo um especialista, a onda de pessimismo internacional inviabiliza o uso do viés de baixa pelo Comitê de Política Monetária (Copom), o que também pesa negativamente nos negócios. Essa perspectiva de corte de juro ajudou a alimentar a alta da Bovespa em agosto. Diante da ameaça de uma guerra entre EUA e Iraque, da preocupação com os preços do petróleo e da proximidade do fatídico 11 de setembro, as preocupações com a corrida presidencial perdem um pouco a importância. "A gravidade dos problemas internacionais é muito maior do que Lula, Ciro e Serra", afirmou um analista. Nesse sentido, a pesquisa Ibope divulgada ontem à noite não está mexendo com o mercado. Até porque não houve muita novidade. José Serra parou de subir e está com 17% das intenções de voto empatado tecnicamente com Ciro Gomes, que continua perdendo votos caindo para 17%. Mas os votos perdidos por Ciro não migraram para Lula e Serra ou Garotinho. Esses votos agora estão sendo computado no campo dos indecisos.

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