Bovespa perdeu espaço no mercado internacional

O Brasil, juntamente com os demais países emergentes, vem apresentando redução no volume de negócios no mercado de ações. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que negociava em média um volume médio diário de US$ 757 milhões em 1997, caiu para US$ 426 milhões - redução de 44%. A participação da Bovespa hoje no cenário global de volume diário de negócios é de apenas 0,2% do total, contra 0,9% do total em 1997.Por outro lado, de acordo com a consultoria Global Invest, a Nasdaq - bolsa norte-americana que negocia papéis de empresas de tecnologia e Internet - multiplicou seu volume médio diário de negócios de US$ 17,7 bilhões em 1997, antes das crises internacionais, para US$ 81,1 bilhões na média deste ano, até outubro. Isso representa uma elevação de 356%. O restante dos países emergentes apresentam cenário semelhante ao do Brasil. Segundo os levantamento, os 15 principais mercados de ações emergentes, incluindo Taiwan, Hong Kong, Cingapura, Buenos Aires e Cidade do México, reduziram sua participação no mercado global de 13,5% do total negociado em 1997 para 5,1% este ano, até outubro. Para o economista Fernando Pinto Ferreira, sócio-diretor da Global Invest e autor do estudo, "o Brasil não está sozinho, porém está sofrendo mais do que a média dos mercados emergentes". Para Ferreira, o fato de várias empresas brasileiras terem emitido American Depositary Receipts (ADRs) nos últimos anos em Nova York, como Vale do Rio Doce e Petrobrás, pode até ter alguma influência na redução do volume. Mas ressalta que por trás de todo esse processo está o desinteresse dos investidores nos mercados emergentes e nesse caso inclui até mesmo os ADRs desses países.Riscos na Nasdaq são menoresAinda, segundo Ferreira, os investidores optam pela Nasdaq pelo maior potencial de retorno, além de não correr risco de crises cambiais, políticas ou de liquidez, prováveis variáveis dos mercados emergentes. De 1997 até o dia 16 de novembro deste ano, a variação em dólar acumulada da Nasdaq era de 134,8%, sendo que no Índice Bovespa, a variação no mesmo período foi de apenas 10%. Com tantas incertezas globais - como a alta do preço do petróleo, a discussão sobre o "soft landing" americano e o enfraquecimento do euro - os investidores internacionais fogem dos mercados emergentes. "Ninguém vai se sensibilizar com o fato de que fizemos corretamente o dever de casa e que os fundamentos da economia brasileira melhoraram bastante", diz o sócio da Global Invest.

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