Bovespa pode criar mercado global

O mercado de ações brasileiro está sob os efeitos da globalização. Prova disso é a crescente transação dos papéis brasileiros em Nova York, enquanto o volume de negócios na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) vem caindo. Atenta a esse movimento, a Bovespa acertou sua entrada no projeto que visa a criação de um mercado global de ações. Além da brasileira, fazem parte da iniciativa outras nove bolsas: Tóquio, Hong Kong, Sidney, Paris, Bruxelas, Amsterdã, Nova York, Toronto e Cidade do México.A idéia é montar um pregão mundial que funcionará sem pausas durante todos os dias da semana. Não se trata de uma fusão das bolsas, mas da formação de um mercado comum, onde o investidor brasileiro poderá comprar ações das maiores companhias americanas ou japonesas.O superintendente-geral da Bovespa, Gilberto Mifano, acredita que se o projeto vingar, estará encerrado o problema da migração de negócios. O investidor não precisará mais mudar de praça, pois as maiores estarão dentro de um só bloco. O projeto-piloto do pregão mundial deve estar à disposição dos investidores até o final do primeiro semestre de 2001. As discussões estão em curso e, em dezembro deste ano, deve ser divulgado o formato do mercado.Obstáculos podem atrasar criação do novo mercadoA modelagem de um mercado desse porte não é simples, pois os países possuem legislação e tributações diferentes. Segundo Mifano, existem alguns entraves que ainda precisam ser resolvidos. O principal deles é a moeda a ser utilizada no novo mercado. A proposta é que cada investidor possa negociar em sua própria moeda. Outra dificuldade é a diferença das exigências legais dos diversos países, já que cada integrante tem um órgão regulador próprio.O sucesso do mercado global depende da derrubada desses obstáculos. Segundo o gestor de renda variável do Chase Manhattan, Eduardo Favrin, os fundos de pensão brasileiros perdem a imunidade de pagamento de Imposto de Renda se aplicarem em ativos de empresas estrangeiras. É por isso que os fundos não mantêm em suas carteiras as ações da Telefónica da Espanha atualmente negociadas na Bovespa.A falta de conhecimento do investidor doméstico sobre as empresas estrangeiras também pode ser um empecilho. "É uma mudança cultural, que irá exigir até uma abrangência maior de conhecimento dos profissionais de mercado.", disse Fravin. Apesar das dificuldades, ele avalia que o Brasil terá de se inserir nesse mercado. "A abertura econômica é um processo irreversível e esse é mais um passo." Entrada de companhias será optativaA entrada das empresas no mercado global será optativa. A estimativa é ter, no início, de 200 a 300 companhias. Segundo a Bovespa, o Brasil pode ter 20 empresas fazendo parte das negociações. O alvo são as de grande porte, com visibilidade internacional, como Petrobras, Aracruz e AmBev. Quando o mercado estiver maduro, a previsão é de que conte com mil empresas dos países participantes.

Agencia Estado,

17 de outubro de 2000 | 18h44

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