Bovespa reabre após circuit breaker e cai 9,5%

Incertezas no cenário externo sobre risco de recessão global derrubaram preço das commodities

Da Redação,

22 Outubro 2008 | 18h07

A Bolsa de Valores de São Paulo reabriu por volta das 17h50 desta quarta-feira, após ficar parada por 30 minutos em razão do acionamento do mecanismo de circuit breaker - que acontece quando a Bovespa atinge queda de mais de 10%.   Veja também: Dólar salta mais de 6% com pessimismo de mercados globais Governo autoriza estatização de instituições privadas no País Íntegra da MP no Diário Oficial  Pacote para construção civil envolverá BNDES e Caixa Conheça outro caso de intervenção do governo em construtoras Consultor responde a dúvidas sobre crise   Como o mundo reage à crise  A cronologia da crise financeira  Dicionário da crise       O circuit breaker é um mecanismo utilizado pela Bovespa que permite, na ocorrência de movimentos bruscos de mercado, o amortecimento e o rebalanceamento das ordens de compra e de venda. Esse instrumento constitui-se em uma "proteção" à volatilidade excessiva em momentos atípicos de mercado, segundo informa a Bolsa.   A queda da Bolsa nesta quarta-feira foi puxada pelas ações ligadas às commodities e bancos. Quando os negócios foram suspensos, as ações ordinárias da Petrobras (ON, com direito a voto) caíam 9,59%. Já os papéis da Vale despencaram 7,80%. O risco de recessão global faz com que o preço das commodities caia. A Bovespa é formada em grande parte por empresas ligadas ao setor de commodities. Por isso, a Bolsa brasileira é fortemente afetada por este cenário.   Para as ações de bancos, além da piora do ambiente externo, pesou também a redução do crédito e a divulgação da MP 443, que autoriza o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal a comprarem participações e até o controle de instituições financeiras públicas ou privadas, sem processo de licitação. As ações do Unibanco apresentavam queda, de 6,61%; Banco do Brasil ON caía 9,82%; Bradesco ON despencava 8,45% e Itaú PN desabava 10,78%.   Analistas ressaltam, porém, que não vêem muita relação dessa queda expressiva das ações do setor bancário com a divulgação da MP 443. "É mais uma medida preventiva, que mostra que o BC está em estado de alerta", disse uma fonte. De acordo com a medida, os dois bancos federais poderão comprar participações em instituições financeiras, públicas ou privadas, sediadas no Brasil, incluindo empresas dos ramos securitário, previdenciário e de capitalização, entre outras. Além disso, o negócio poderá ser realizado sem qualquer licitação para isso.   A MP 443 autoriza ainda a criação da empresa Caixa - Banco de Investimentos S.A., sociedade por ações, subsidiária integral da Caixa Econômica Federal, com a finalidade de explorar atividades de banco de investimento. Além disso, o BC poderá realizar operações de swap (contratos que trocam os rendimentos em juros pela oscilação da moeda estrangeira) de moedas com bancos centrais de outros países.   Desconfiança   De qualquer maneira, ficou a dúvida se essa MP é para atender a alguma demanda específica. "Será que ela veio para estatizar algum banco pequeno com problemas de liquidez"? - perguntava-se um operador. "Essa é uma medida radical em cima de outra de duas semanas atrás, sobre compra de carteiras de instituições financeiras", observou a mesma fonte. O presidente do BC, Henrique Meirelles, afirmou que não há demanda pelo redesconto.   O ministro da Fazenda, Guido Mantega, garantiu que não tem banco quebrando no Brasil e que o sistema financeiro brasileiro é sólido por ser menos alavancado, mais prudente e mais capitalizado do que em outros países. "Mas isso não o isenta de ter problemas de liquidez, por isso o Banco Central está devolvendo os depósitos compulsórios, criando mais alternativas para criar liquidez", disse.   O mercado de câmbio também sentiu o aumento das incertezas. Apesar de todas as medidas do Banco Central, a moeda norte-americana subiu 6,44% e fechou cotado a R$ 2,38. Neste patamar, a alta da moeda norte-americana chega a 25,13% no mês.   Crédito   Segundo dados divulgados nesta quarta pelo BC, a oferta de crédito no País caiu 13% nos dez primeiros dias de outubro, em relação ao mesmo período de setembro. Essa redução do volume emprestado acontece nas linhas de crédito para famílias e empresas. Nesse período, as operações para pessoas físicas diminuíram 13,4%. Para as pessoas jurídicas, a redução foi de 12,8%.

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