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Bovespa recua 0,75%, mas se mantém nos 66 mil pontos

Depois de 5 dias consecutivos de altas recordes, a Bolsa de São Paulo acompanha as quedas no exterior

Taís Fuoco, da Agência Estado,

16 de outubro de 2009 | 17h29

Em uma sessão volátil pela proximidade do vencimento de opções sobre ações, na segunda-feira, o investidor encontrou nos balanços corporativos decepcionantes e na queda do sentimento do consumidor americano a brecha que buscava para uma realização de lucros na Bovespa, depois de cinco dias consecutivos de altas recordes frente aos níveis pré-crise de 2008. No final da sessão desta sexta-feira, 16, o Ibovespa teve queda de 0,75%, aos 66.200,49 pontos, depois de oscilar entre a mínima de 65.498,54 pontos e a máxima de 66.703,05. Na semana, entretanto, o ganho é de 3,32%, e no mês, de 7,61%. O giro foi de R$ 6,67 bilhões, um pouco acima dos R$ 6,35 bilhões da sessão desta última quinta-feira, mas os dados ainda são preliminares.

 

Nos Estados Unidos, o índice preliminar de sentimento do consumidor da Universidade de Michigan caiu para 69,4 em outubro, de 73,5 em setembro, surpreendendo os economistas ouvidos pela Dow Jones Newswire, que esperavam alta do índice para 73,8. O índice das condições correntes cedeu para 72,1 em outubro, de 73,4 em setembro, enquanto o índice de expectativas despencou para 67,6 em outubro, de 73,5 em setembro.

 

Além disso, o resultado do Bank of America no trimestre decepcionou. A instituição saiu de lucro para prejuízo no terceiro trimestre, refletindo US$ 2,6 bilhões em baixas contábeis, apesar da receita ter crescido em consequência da aquisição do Merrill Lynch. O banco teve prejuízo líquido de US$ 1 bilhão no terceiro trimestre, resultado pior do que o registrado no mesmo período do ano passado, quando obteve lucro de US$ 1,18 bilhão. Após deduções, o prejuízo diluído por ação foi de US$ 0,26, enquanto os analistas projetavam perdas de US$ 0,06 por ação.

 

Com isso, as bolsas de Nova York também inverteram o sinal e fecharam em queda, depois das fortes altas dos últimos dias. O índice Dow Jones caiu 0,67%, aos 9.995 pontos, enquanto o S&P 500 teve queda de 0,81%, para 1.087 pontos, e o Nasdaq recuou 0,76%, aos 2.156 pontos.

 

Na semana, entretanto, o saldo de boas notícias mostrou ser maior que o das más. De acordo com levantamento da Gradual Investimentos, em 86% das empresas que divulgaram seus números nos EUA esta semana os números vieram melhores que as estimativas. "No setor financeiro - a indústria que trouxe mais preocupações durante esta atual crise - o resultado não foi diferente: 75% (dos balanços) vieram melhor que o estimado", diz relatório da instituição.

 

Vale lembrar, diz a Gradual, que a safra de resultados ainda não acabou e que no Brasil a agenda, que só começa na próxima semana, se estende até meados de novembro.

 

O fato é que um possível ajuste nos preços dos ativos não aconteceu esta semana. "Mais uma vez a semana está encerrando sem os ajustes preconizados. Indicadores e resultados corporativos melhores que o esperado e a forte liquidez global mantêm as disposições para o risco, que impulsionam as compras de ações e commodities e a fraqueza do dólar", ponderou Miriam Tavares, diretora da AGK Corretora, em sua análise diária.

 

Nem mesmo a possibilidade de que o governo estude alguma taxação à entrada do capital externo - relatada em reportagem do AE News nesta última quinta-feira à noite, mas não confirmada hoje pelo presidente Lula - chega a assustar o investidor, na opinião de Márcio Macedo, sócio fundador da Humaitá Investimentos.

 

Segundo ele, "está sobrando muito dinheiro no mundo" e essa possível taxação é algo que "o investidor vai acabar relevando". Ele lembra que boa parte do capital estrangeiro que tem vindo ao Brasil recentemente é de fundos soberanos, que envolve "investidores de longo prazo, que têm muitos recursos e poucas opções hoje para aplicar".

 

Segundo ele, caso alguma medida desse tipo seja realmente tomada - como a volta da cobrança de IOF - deve afetar mais o investidor de curto prazo, de caráter especulativo.

 

Ainda que admita que os preços dos ativos "subiram muito e muito rapidamente", Macedo afirma que a bolsa brasileira "ainda tem muitas oportunidades" de ganhos, como na área de carnes, por exemplo, e de cartões de crédito.

 

No campo interno, a blue chip Vale, cujos papéis chegaram a apresentar quedas de mais de 1,50% pela manhã, reduziu as perdas à tarde depois que o presidente Lula negou que o governo tenha planos de taxar exportações de minérios de ferro. No final do pregão, Vale ON caiu 0,09%, a R$ 45,25, e o papel PNA recuou 0,10%, para R$ 40,15.

 

A companhia continua, entretanto, no noticiário. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou que terá um encontro na próxima segunda-feira com o presidente da Vale, Roger Agnelli, em São Paulo, para discutir projetos de investimentos da empresa. "Ele vai me apresentar os projetos da Vale sobre investimentos importantes e vou esperar ele mesmo anunciar esses projetos", afirmou Lula, em Pernambuco.

 

Sobre sua a relação com a diretoria da Vale, o presidente voltou a dizer que não tem problemas com Agnelli. Ele acrescentou que no último encontro que teve com o presidente da mineradora, há algumas semanas, avaliou projetos de investimentos da companhia. "Os projetos me satisfizeram, me deixaram feliz", disse o presidente.

 

Petrobrás, por sua vez, chegou a ensaiar uma realização, no rastro da tentativa de ajuste nas cotações futuras do petróleo, mas este voltou a fechar em alta, reduzindo as perdas no papel da estatal. O contrato futuro do WTI para novembro fechou aos US$ 78,53, com alta de 1,22%, amparado na fraqueza do dólar e nos sinais de recuperação da economia. Desde março, os preços ganharam 60%. No fechamento do pregão normal, Petrobrás ON recuou 0,58%, a R$ 42,80, enquanto a ação preferencial perdeu 0,55%, para R$ 36,40.

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