Bovespa recua 0,97%, mas acumula alta de 3,3% na semana

Compras de investidores estrangeiros contêm queda, gerada pelo anúncio de desemprego recorde nos EUA

Claudia Violante, da Agência Estado,

09 de janeiro de 2009 | 18h47

Os dados frágeis sobre o mercado de trabalho norte-americano patrocinaram uma realização de lucros na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) nesta sexta-feira, 9. Mas a queda foi contida pelas compras de investidores estrangeiros, que se mantiveram ativos apesar de o volume ter sido mais fraco do que o das últimas sessões.  Veja também:EUA têm maior taxa de desemprego em 15 anosDe olho nos sintomas da crise econômica Dicionário da crise Lições de 29Como o mundo reage à crise   O Ibovespa terminou a sexta-feira em queda de 0,97%, aos 41.582,94 pontos. Na mínima, atingiu 41.181 pontos (-1,93%) e, na máxima, 42.525 pontos (+1,27%). Na semana, acumulou ganhos de 3,32% e, no mês, de 10,74%. O giro financeiro totalizou R$ 3,686 bilhões. Os dados são preliminares. O Ibovespa abriu em alta, incentivado pela confirmação da compra de metade do banco Votorantim pelo Banco do Brasil, mas logo virou, com os dados do payroll. Durante todo o dia, o indicador doméstico acompanhou Wall Street, não tão de perto e, na última meia hora do pregão, as perdas foram reduzidas temporariamente com a melhora das ações da Petrobras, que chegaram a subir por alguns minutos.  Os investidores usaram os dados do relatório do mercado de trabalho para embolsarem parte dos lucros dos últimos dias. O payroll veio em linha com as previsões dos analistas e, se ao menos não assustou, também não serviu para comemorar, já que os dados são ruins. No último mês de 2008, foram fechadas 524 mil vagas de trabalho, mil a menos do que as previsões. No ano, entretanto, foram 2,6 milhões de postos a menos, o maior número desde 1945. A taxa de desemprego passou dos revisados 6,8% em novembro para 7,2% em dezembro, superando a previsão de 7,0% e atingindo o maior patamar desde janeiro de 1993.  Diante da fraqueza do mercado de trabalho, as bolsas norte-americanas passaram a cair logo após a abertura. Às 18h15, o Dow Jones recuava 1,09%, o S&P, 1,45% e o Nasdaq, 2,08%. Outro indicador conhecido lá hoje foi o de estoques no atacado, que recuaram 0,6% em novembro ante outubro. A previsão era de queda de 0,8%. O número de outubro foi revisado da queda de 1,1% divulgada originalmente para declínio de 1,2%.  Os dados do mercado de trabalho norte-americano também pesaram sobre as bolsas europeias, que recuaram e terminaram a semana em baixa. Em Londres, o FTSE-100 recuou 1,26%. Na Bolsa de Frankfurt, o índice DAX fechou com queda de 1,97%. Em Paris, o CAC-40 cedeu 0,75%. Apesar das perdas das bolsas no exterior, o fluxo de estrangeiros conseguiu conter a baixa do Ibovespa. Segundo o economista da Um Investimentos Hersz Ferman, o ingresso de recursos externos fez com que a Bovespa tivesse a melhor semana nesse quesito em vários meses.  Os metais subiram no exterior, mas Vale fechou em baixa, de 1,64% a ON e 0,98% a PNA. Com exceção de Usiminas, as siderúrgicas subiram. Petrobras recuou 0,16% a ON e 0,39% a PN, enquanto o petróleo recuou 2,09%, para US$ 40,83, no contrato de fevereiro negociado na Nymex.  Mas a notícia corporativa do dia hoje foi a compra, pelo Banco do Brasil, de 50% do capital social total e 49,99% do capital votante do Banco Votorantim, por R$ 4,2 bilhões. A ação ON do BB fechou em alta de 3,12%, a maior do Ibovespa. Mas as ações da VCP aceleraram as perdas após o acionista do Banco Votorantim José Ermírio de Moraes Neto informar que os recursos recebidos com a venda de metade da instituição para o Banco do Brasil serão inteiramente reaplicados no negócio financeiro do grupo. VCP PN perdeu 3,04%.

Tudo o que sabemos sobre:
Crise FinanceiraBovespaEmprego

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.