Bovespa recua 1,02% no dia, mas ainda sobe 7% em dezembro

Pacote de ajuda do governo dos EUÀ às montadoras influenciou as ações em NY, mas não animou a Bovespa

Claudia Violante, da Agência Estado,

19 de dezembro de 2008 | 18h33

Finalmente saiu nesta sexta-feira, 19, o pacote de ajuda do governo norte-americano às três problemáticas montadoras do país. A notícia influenciou as ações nas bolsas em Wall Street, mas a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) não se deixou levar: os índices divulgados hoje, a queda do preço do petróleo e uma realização de lucros fizeram o principal índice doméstico terminar a semana em baixa.   Veja também: Desemprego, a terceira fase da crise financeira global De olho nos sintomas da crise econômica  Dicionário da crise  Lições de 29 Como o mundo reage à crise     A Bovespa recuou 1,02%, aos 39.131,23 pontos, acumulando perda de 0,61% na semana. Em dezembro, a Bolsa ainda contabiliza ganhos, de 6,93%, mas, em 2008, tem queda de 38,75%. Na mínima do dia, atingiu 38.728 pontos (-2,04%) e, na máxima, 39.785 pontos (+0,63%). O giro financeiro totalizou R$ 3,061 bilhões. Os dados são preliminares   O pacote divulgado hoje pela Casa Branca prevê US$ 17,4 bilhões para GM, Chrysler e Ford, em recursos liberados em empréstimos de emergência do Programa de Alívio de Ativos Problemáticos (Tarp), do Tesouro, a serem disponibilizados em duas etapas, a primeira delas praticamente imediata (entre dezembro e janeiro). O presidente dos EUA, George W. Bush, justificou que seria irresponsabilidade deixar as empresas pedirem concordata com a economia norte-americana em recessão.   Com a ajuda, as ações das montadoras dispararam, influenciando as bolsas. No final da tarde, no entanto, o Dow Jones virou e recuava 0,54%, às 18h17, enquanto o S&P caía 0,16%. O Nasdaq ainda subia, 0,56%. O tombo do petróleo, em mais uma sessão, repercutiu sobre as ações do setor, segurando o desempenho dos índices.   Em São Paulo, Petrobras continuou repercutindo os preços do óleo no mercado externo e teve mais uma sessão de baixa, embora, à tarde, tenha devolvido grande parte das perdas registradas mais cedo. Fechou em -0,75% a ação ordinária (ON, com direito a voto) e -0,64% a Preferencial (PN, sem direito a voto). Na bolsa eletrônica de Nova York (Nymex), o contrato para janeiro recuou 6,49%, a US$ 33,87, com os temores de enfraquecimento acentuado na demanda.   Hoje, líderes da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) alertaram que a forte queda dos preços da commodity está prejudicando projetos de refino e de perfuração de longo prazo, já que os produtores temem pelo desempenho da demanda no futuro.   Vale, a outra blue chip, também passou por correção de baixa hoje. Caiu 0,42% a ON e 0,43% a PNA. Siderúrgica e bancos acompanharam, além do setor de consumo, desempenho que pode ser explicado pelos indicadores divulgados hoje pelo IBGE: a taxa de desemprego teve ligeira elevação de outubro para novembro, de 7,5% para 7,6%, e o IPCA-15 de dezembro ficou em 0,29%, ante 0,49% (em 2008, o índice subiu 6,10%). O dado de inflação seria bom se não reforçasse as análises de desaquecimento econômico.   Para as próximas duas semanas, a Bovespa deve seguir em ritmo lento, com muitos investidores fora do mercado nas folgas de final de ano. Assim, o volume deve seguir decrescente.

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