JB Neto|AE
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Bovespa recua sete anos e tem o pior resultado entre maiores bolsas globais

Numa lista de 12 índices de bolsas internacionais, liderada pela Argentina, o Brasil ficou com a pior rentabilidade; o Ibovespa, principal índice da BM&FBovespa, registrou queda de 13,31% em 2015, o terceiro recuo consecutivo

Renée Pereira, O Estado de S.Paulo

30 de dezembro de 2015 | 21h30

A conjunção de más notícias que assolou o Brasil em 2015, como a crise política, os desdobramentos da Operação Lava Jato, a recessão econômica e a perda do grau de investimento, fez a bolsa paulista recuar sete anos em pontuação (43.395) e ficar entre os piores desempenhos das bolsas mundiais. O Ibovespa, principal índice da BM&F Bovespa, amargou prejuízo pelo terceiro ano consecutivo, com queda de 13,31%. De 2012 para cá, a queda acumulada é de 29%.

Numa lista de 12 índices de bolsas internacionais selecionadas pelo Estado, o Brasil ficou com a pior rentabilidade. O melhor desempenho foi o índice Merval, da Argentina, que sofreu o impacto da desvalorização cambial no país. Em seguida aparece, o FTSE Mib, da Itália, com alta de 12,66% e o Dax, da Alemanha, de 9,56%.

O resultado da bolsa brasileira em 2015 refletiu o desempenho negativo de duas das principais empresas brasileiras, Petrobrás e Vale, cujas ações têm grande representatividade no Ibovespa. Os papéis da petroleira, que vive uma de suas piores crises com a Operação Lava Jato e a perda de capacidade de investimento, caíram 32,73% (PN) e 10,32% (ON). No caso da mineradora, que sofre com a queda no preço das commodities e com os reflexos do acidente em Mariana (MG), o prejuízo foi ainda pior: queda de 37,63% (ON) e 43,56% (PNA) no ano.

As perdas respingaram nas contas dos trabalhadores que tinham recursos do FGTS aplicados em ações das duas empresas. Segundo dados da Caixa, até o dia 29, os fundos da Petrobrás registravam queda de até 12% e os da Vale, de 40%. Em 2014, esses fundos já tiveram prejuízos de cerca de 38% e 35%, respectivamente.

Segundo Fabio Colombo, administrador de investimentos, com a queda da Bolsa e a alta do dólar, os ativos brasileiros ficaram muito baratos. No balanço de 2015 calculado por ele, a moeda americana ficou no topo, com valorização de 48,62%. O segundo lugar no ranking de 2015 ficou com o euro, que subiu 43,67%, seguido pelo ouro, com alta de 33,63%.

As aplicações indexadas à inflação ganharam daquelas atreladas aos juros, como renda fixa, DI e poupança. Os títulos atrelados ao IPCA, por exemplo, tiveram valorização de 17,66%. Os fundos de renda fixa ganharam, em média, 13,49%; os DI, 13,17%; e os CDBs, 12,88%.

A tradicional caderneta de poupança só ficou atrás da Bolsa. Rendeu apenas 8,07%, segundo os cálculo de Colombo. Ou seja, quem aplicou na caderneta perdeu dinheiro, pois a inflação foi maior.

Segundo Colombo, o balanço de 2015 reflete tanto o cenário desfavorável do mercado internacional, com queda no preço das commodities, como a turbulência interna. “A recessão econômica e a inflação acima do esperado, o desajuste das contas fiscais, a Lava Jato, a falta de apoio parlamentar para aprovar as medidas de ajuste fiscal e o rebaixamento das notas de crédito do Brasil atrapalharam demais os investimentos.”

Sem perspectiva. Na avaliação do economista da Tendências Consultoria Integrada, Silvio Campos Neto, 2016 começa com viés negativo, sem perspectiva de reversão. Além da baixa probabilidade de retomada econômica, diz ele, o mercado externo não deve contribuir muito com o desempenho da bolsa brasileira. A expectativa é que as commodities continuem em baixa, afetando os papéis das exportadoras. A alta dos juros americanos também deve afetar o fluxo de recursos estrangeiros para o País, diz. Para piorar a situação, afirma Campos Neto, não estão descartados novos rebaixamentos da nota de risco do Brasil em 2016, que poderia cair mais dois graus.

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