Bovespa renova mínima do ano com vendas de estrangeiros

Decisão do governo chinês de segurar expansão do crédito motivou queda nas cotações de commodities

Aluísio Alves e Paula Laier, da Reuters

26 Janeiro 2010 | 18h59

Novas medidas para conter a expansão do crédito na China, temperadas por outro dia de perdas das commodities, conduziram a Bovespa à quarta baixa seguida, opondo-se a Wall Street, que chegou a reverter as perdas após surpreendente repique na confiança do consumidor norte-americano.

O Ibovespa ainda recuperou-se parcialmente na parte da tarde, mas não o suficiente para evitar uma queda de 1,05% no final desta terça-feira, a 65.523 pontos - menor patamar desde 13 de novembro de 2009.

O giro financeiro da sessão totalizou R$ 6,47 bilhões.

A decisão do governo chinês de exigir volumes maiores de depósitos compulsórios de grandes bancos, para tentar conter a expansão do crédito, foi lida por investidores como risco de crescimento menor do país e, consequentemente, das importações de produtos como commodities.

Nesse sentido, o salto inesperado da confiança do consumidor dos EUA em janeiro, para o maior nível desde setembro de 2008, serviu apenas para amortecer a corrente vendedora de ações  -especialmente dos estrangeiros, que já resgataram R$ 583 milhões da Bovespa em janeiro até o dia 21.

A cerca de meia hora do encerramento, o índice Dow Jones subia 0,2%, enquanto o Standard & Poor's 500 voltava a registrar queda, de 0,1%.

Na sexta-feira, após o fechamento da bolsa paulista, os índices acionários em Wall Street ampliaram as perdas. O Ibovespa teve variação negativa de apenas 0,08%, enquanto Dow Jones e S&P 500 registraram perdas superiores a 2%.

"Estamos acertando uma distorção de sexta-feira, quando o mercado nos EUA registrou quedas fortes na última hora. Na segunda-feira, a bolsa local fechou, enquanto os pregões em Nova York ficaram estáveis", afirmou o profissional da área de opções sobre ações de uma importante corretora em São Paulo.

Renato Bandeira de Mello, gerente de operações de renda variável na Futura Corretora, disse que a pressão vendedora veio principalmente de investidores estrangeiros.

Petrobrás, Vale e outros destaques

O comportamento das blue chips Petrobras e Vale endossa essa percepção, uma vez que os papéis responderam pela principal pressão negativa no Ibovespa.

No caso de Petrobrás, o declínio nos preços do petróleo foi mais um componente desfavorável para a preferencial da estatal, que recuou 2,45%, para R$ 33,90.

A série de relatórios elevando as projeções para Vale, com base na expectativa de aumento dos preços do minério de ferro em 2010, continuou, mas não foi suficiente para seduzir os investidores.

Nesta terça-feira foi a vez de analistas do HSBC e da Bradesco Corretora reajustarem para cima a avaliação de preço-alvo do papel preferencial da companhia. A ação, no entanto, recuou 2,63%, a R$ 42,60.

As principais quedas do índice foram Natura, com declínio de 5,38%, a R$ 33,40; LLX, com baixa de 3,97%, a R$ 8,47; e Eletrobrás, com recuo de 3,79%, a R$ 40,41.

Braskem caiu 1,98%, a R$ 13,34, com analistas considerando negativos alguns termos da compra da Quattor, que deu origem a uma das maiores empresas petroquímicas do mundo. Na sexta-feira, dia do anúncio da operação, as ações da Braskem já haviam caído.

O Citigroup reduziu de "manutenção" para "venda" a recomendação para as ações da companhia. A Itaú Corretora reduziu a estimativa de lucro por ação e manteve recomendação de "média do mercado" para os papéis.

O setor elétrico liderou as altas no Ibovespa, com Cesp subindo 4,84%, a R$ 23,60; Eletropaulo avançando 4,77%, a R$ 36,25; e Cemig valorizando-se 4,46%, a R$ 30,70.

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