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Bovespa reverte queda com reação em NY e sobe 2,22%

Na semana, o Ibovespa acumulou um ganho de 11,4%, contabilizando valorização positiva no acumulado do mês

Paula Laier, da Agência Estado,

12 de dezembro de 2008 | 18h55

A volatilidade continuou sendo a tônica dos negócios na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) nesta sexta-feira, 12, mas, após uma abertura mais negativa, o pregão brasileiro firmou-se em território positivo à tarde, pegando embalo na reação das bolsas nos Estados Unidos - embora Wall Street ainda fosse oscilar entre os campos positivo e negativo. Em Nova York, os índices acionários continuaram à mercê do noticiário e das incertezas relacionados ao futuro das montadoras norte-americanas, o que se refletiu nas operações domésticas. Isso, porém, não impediu o índice doméstico de renovar máximas perto do fechamento, mesmo com todo o sobe-e-desce nos EUA. Veja também:EUA estudam usar plano de US$ 700 bi para ajudar montadorasGM e Chrysler avaliam concordata após fracasso de pacoteFracassa reunião sobre montadoras nos EUA Ex-presidente da Nasdaq é preso por fraude bilionária nos EUADe olho nos sintomas da crise econômica Dicionário da crise Lições de 29Como o mundo reage à crise  Desse modo, o Ibovespa encerrou na máxima, aos 39.373,86 pontos, em alta de 2,22% - de 37.014 pontos na mínima (-3,91%). O volume financeiro, contudo, não foi dos mais expressivos, totalizando R$ 3,542 bilhões (preliminar) - no mês, a média diária é de R$ 4,231 bilhões. Na semana, o Ibovespa acumulou um ganho de 11,4%, contabilizando uma valorização de 7,59% no mês. No ano, contudo, ainda registra perdas de 38,37%. De acordo com Paulo Rebuzzi, da corretora Ativa S.A., o noticiário sobre a ajuda, ou não, para as montadoras de Detroit foi, sem dúvida, o que moveu o mercado hoje. O profissional aguardava uma abertura na Bovespa muito pior do que aconteceu, justamente por causa do fracasso de um acordo no Senado dos EUA ontem à noite sobre um pacote de socorro às empresas. A perspectiva de que essas companhias podem ser "too big to fall" e de um plano saia a qualquer momento, com base em informações da Casa Branca e do Tesouro dos EUA, porém, impediu isso, notou. Por volta do meio-dia, a Casa Branca informou que estuda utilizar o Programa de Alívio para Ativos Problemáticos (Tarp) de US$ 700 bilhões para evitar o colapso do setor automotivo norte-americano. Um pouco depois, o Tesouro dos EUA disse que está pronto para ajudar as montadoras, segundo comunicado enviado por e-mail pela porta-voz Brooklyn McLaughlin a agências internacionais. Em Nova York, diferentemente da Bovespa, o viés positivo não se sustentou e os índices ainda oscilariam entre momentos de alta e de baixa. Às 18h20, o Dow Jones subia 0,37%, o S&P-500 avançava 0,22% e o Nasdaq +1,51%. Petrobras A melhora do Ibovespa também encontrou suporte na diminuição da queda dos preços do petróleo, em razão do efeito positivo sobre as ações da Petrobras. Após cair 7,46% na mínima do dia, a US$ 44,40, o contrato da commodity para janeiro de 2009 negociado na Nymex encerrou o dia a US$ 46,28, em baixa de 3,54%. Na máxima do dia, chegou a US$ 47,15 (-1,73%) Isso permitiu que as ações PN da Petrobras - que respondem pela maior fatia do índice brasileiro - registrassem alta de 1,97% na máxima do dia. No encerramento, os papéis apontaram ganho de 1,21%. As ações ON da estatal fecharam com elevação de 2,49%, após subir 1,10% no teto. Merece destaque o desempenho semanal das ações da Petrobras: PN +24,45% e ON +28,37%. Vale lembrar que esta semana antecedeu o vencimento de opções sobre ações que acontece na próxima segunda-feira, e os papéis da estatal costumam estar entre os mais líquidos do exercício. De acordo com Humberto Guidi, agente autônomo de investimentos e analista gráfico na corretora Magliano, houve movimento de compra por alguns bancos nas opções de Petrobras PN a R$ 24. De acordo com ele, o papel já esteve bem pior e deu chance para os "grandes" comprarem barato as opções e "puxarem" o papel para que os vendidos precisassem zerar para cobrir o prejuízo. E isso ajuda a ação a subir, porque eles precisam comprar para "sair do risco". Outras blue chip com expressiva liquidez nos vencimentos de opções, as ações da Vale apresentaram um comportamento mais tímido na sessão de hoje, mas não no acumulado da semana. No caso das PNA, subiram 1,13% nesta sexta-feira, acumulando ganho de 16,51% na semana. Vale ON apreciou-se 0,36% e 19,79%, respectivamente. O comportamentos das ações da Petrobras e Vale referendam a percepção dos profissionais do mercado e dos próprios dados da Bovespa sobre a presença de capital estrangeiro nos negócios. Nesta semana, a Bolsa registrou a entrada de R$ 874,321 milhões em capital externo no dia 8 e de R$ 315,689 milhões no dia 9. Além de tudo isso, o gerente de renda variável de uma corretora no Rio citou ainda que as medidas divulgadas ontem favorecem um certo descolamento no que diz respeito ao fôlego no momento de recuperação das ações brasileiras perante as americanas. Ontem, o governo anunciou a redução do IPI cobrado sobre alguns veículos, a redução do IOF de 3,38% para 1,88%, a criação de duas novas faixas de IR e a possibilidade de usar parte das reservas internacionais para facilitar o pagamento de débitos externos por empresas privadas. Para Guidi, no curto prazo, o Ibovespa futuro deve oscilar entre 37.000 pontos e 41.000 pontos. No longo prazo, entre 35.000 e 45.000 pontos. Hoje, o Ibovespa futuro fechou hoje a 39.250 pontos. As maiores altas do Ibovespa hoje foram registradas por CESP PNB (+9,09%), Embraer ON (+7,79%) e TIM Participações S.A. PN (+7,14%). No outro extremo, ALL Unit caiu 6,50%, JBS ON perdeu 5,41% e Transmissão Paulista PN recuou 2,71%.

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