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Bovespa salta quase 6% com forte giro e volta subir no mês

Responsáveis pela recuperação foram EUA e Vale; pontuação da bolsa atingiu 63.720,58 pontos

Alessandra Taraborelli, da Agência Estado,

29 de outubro de 2009 | 18h43

A Bovespa se recuperou do tombo e encerrou com valorização de quase 6%. Se nos últimos dias os EUA e a Vale foram os patinhos feios que comandaram a queda da bolsa, nesta quinta-feira, 29, eles se transformaram em cisnes e foram os responsáveis pela recuperação. O dado do PIB nos EUA melhor que o esperado, indicando que o país saiu da recessão, afastou a aversão ao risco, pelo menos por enquanto.

 

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A Vale divulgou balanço na quarta-feira, 28, após o fechamento do mercado. O resultado veio abaixo do registrado no mesmo período do ano passado, mas dentro do esperado pelo mercado, o que abriu espaço para recuperação dos papéis. As ações da mineradora subiram nesta quinta mais de 8%.

 

O Ibovespa encerrou com valorização de 5,91%, a maior alta desde último 4 de maio (+6,59%). A pontuação atingiu 63.720,58 pontos. Com a alta desta quinta-feira, 29, a bolsa voltou a registrar ganhos no mês, +3,58%. No ano, apura +69,70%. O giro financeiro somou R$ 7,31 bilhões. Os dados são preliminares.

 

Para a diretora da Solidus Corretora, Débora Morsch, tanto a queda de quarta foi surpreendente quanto à alta hoje (quinta-feira, 29). "O mercado está bipolar. Muda de humor muito rápido. Ele (mercado) está precisando de um tratamento", brinca a profissional sobre a rápida reação do mercado. Para ela, o que pode explicar, em parte, o movimento da véspera foi uma precaução ante uma eventual decepção com o resultado do PIB nos EUA. "A bolsa doméstica foi uma das que mais subiu este ano. O investidor preferiu embolsar os lucros a ser surpreendido por um PIB fora do esperado", disse. Para ela, os movimentos bruscos na bolsa exigem cautela. "No curto prazo a bolsa está sem tendência definida. Até o fim do ano, acredito que a bolsa vai andar de lado, para gerar consistência para nova rodada de alta. Para 2010 a perspectiva é positiva", avalia.

 

O Departamento do Comércio dos EUA informou crescimento anualizado de 3,5% do PIB no terceiro trimestre, o primeiro desde o segundo trimestre de 2008 e o maior em dois anos. Além disso, o dado ficou acima das estimativas dos economistas, que eram de crescimento de 3,2%. O PIB ainda vai passar por revisões e, embora esteja sendo considerado o sinal do fim da recessão, a palavra oficial sobre o encerramento do ciclo cabe ao Birô Nacional de Pesquisa Econômica (NBER, na sigla em inglês), que declarou o começo da recessão em dezembro de 2007. Débora lembra que a melhora do PIB norte-americano está concentrada em ações governamentais. "Se deixar de lado o incentivo do governo será que a economia continua crescendo?", questiona a diretora.

 

Em Nova York, o Dow Jones subiu 2,05%, o Nasdaq +1,84%, e o S&P +2,25%.

 

Na Europa, as bolsas fecharam em alta, avançando após dados mostrarem que a economia dos EUA voltou a crescer. O índice FTSE 100 de Londres avançou 1,13% e fechou a 5.137,72 pontos, enquanto o índice alemão DAX de Frankfurt ganhou 1,66%, a 5.587,45 pontos. O índice CAC-40 da Bolsa de Paris ganhou 1,37% e fechou a 3.714,02 pontos. O índice IBEX35 de Madri avançou 2,22%, a 11.683,40 pontos.

 

Por aqui, depois de antecipar nos últimos pregões uma queda expressiva no lucro líquido da Vale em relação ao terceiro trimestre do ano passado, que acabou sendo confirmada, os investidores fizeram nesta quinta uma boa leitura dos números. Segundo Álvaro Bandeira, diretor da Ágora Corretora, "é cruel" comparar o resultado da Vale com igual trimestre do ano passado, quando a crise estava começando. "Nessa comparação todas as grandes companhias do mundo vão mostrar uma queda forte nos lucros". A comparação, segundo ele, tem de ser feita com o trimestre anterior e, nessa base de comparação, o lucro da Vale cresceu 112,3%. A mineradora registrou lucro líquido de US$ 1,677 bilhão no terceiro trimestre, uma queda de 65,2% em comparação com o mesmo período do ano passado, conforme o padrão contábil norte-americano (USGaap). As ações PNA avançaram 8,59%, a R$ 41,10, e as ON, +8,87%, a R$ 46,50.

 

O resultado da Vale puxou os papéis da MMX Mineração, que subiram 12,35%, a R$ 12,19 e as siderúrgicas: Gerdau PN (+7,72%), Gerdau Metalúrgica PN (+7,67%), Usiminas PNA (+2,98%) e CSN ON (+5,46%). Os metais básicos também se recuperaram com vigor na London Metal Exchange (LME), interrompendo uma sequência de três dias de perdas.

 

Petrobras PN subiu 5,32%, a R$ 36,06 e ON, +3,85%, a R$ 41,80. Em Nova York, o petróleo para dezembro encerrou com ganho de 3,11%, a US$ 79,87.

 

As ações de empresas ligadas à economia interna também registraram forte alta nesta quinta-feira, 29. Os papéis do setor de varejo reagiram à renovação parcial, por três meses, da redução do IPI sobre produtos da chamada linha branca. O grau do benefício passa a ser proporcional ao consumo de energia do eletrodoméstico. Lojas Americanas PN subiram 8,80% e B2W ON, +7,98%.

 

As ações da Visanet tiveram forte alta de 5,85%. Na quarta-feira, 28, a empresa informou que registrou lucro líquido de R$ 396,7 milhões entre julho e setembro deste ano, um crescimento de 34,8% na comparação com o mesmo período do ano passado.

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