Bovespa se aproxima de recorde histórico

Nesse cenário, especialistas recomendam que investidor tenha estratégia para entrar e sair

Yolanda Fordelone, do Economia & Negócios,

07 de novembro de 2010 | 19h00

 Após mais de dois anos de altas e baixas, a Bolsa de Valores de São Paulo se aproxima novamente do recorde histórico de pontuação de fechamento, de 73.516 pontos, alcançado em maio de 2008. Na quinta-feira passada, a Bovespa atingiu 73.103 pontos. Diante do avanço da Bovespa, surge uma dúvida recorrente entre os investidores: o mercado já estaria caro para começar a aplicar? Mais do que se preocupar em encontrar o momento certo de entrar na Bolsa, dizem especialistas, o importante é definir uma estratégia.

"O pequeno investidor pessoa física tem uma extrema dificuldade para saber quando entrar e sair da Bolsa", diz o professor de finanças do Insper, Ricardo Fontes. Entre as estratégias, o professor sugere que o investidor determine um porcentual de ganho e de perda que pode ter. Ele aconselha: "Lucro bom é o que está no bolso".

Com o juro básico na faixa de 10% ao ano, Fontes acredita que um bom parâmetro é estabelecer o objetivo de 20% de rendimento. Quando esse valor for atingido, independentemente da tendência da Bolsa, o investidor deve embolsar o ganho e rever a estratégia, para avaliar se ainda há oportunidade de alta.

O operador sênior da corretora, Julio Mora, lembra que em 2010 a Bolsa já chegou perto do topo histórico, mas voltou a cair. Ele recomenda que o investidor compre ações periodicamente, na alta e na baixa, fazendo o que os especialistas chamam de preço-médio. "A grande maioria perde dinheiro porque acaba se empolgando na alta, comprando ações, e se desiludindo na baixa, vendendo-as. Não fazem preço-médio nem estabelecem limite de prejuízo", diz.

Vale lembrar que as estratégias são indicadas para aqueles que pensam em investir no médio e longo prazo, pois, apesar do mercado se mostrar otimista com a Bolsa num horizonte de tempo maior, no curto prazo, a tendência ainda é incerta.

Topos históricos sempre representam barreiras a serem ultrapassadas. Na análise gráfica, são chamados de resistência. "A resistência é um topo no gráfico, uma pontuação que fica na memória da massa. Num primeiro movimento de queda, todo mundo vende. Por isso, se torna uma barreira a ser ultrapassada", resume o analista gráfico Luiz Antonio "Parddal", da TCX Trading Consulting, que apesar de dizer que os 73 mil potnos são uma barreira forte, se mostra otimista. "Acredito no Ibovespa perto dos 76 mil pontos em 2010", diz.

É certo que se comparada a Bolsas do resto do mundo, a alta Bovespa é menor. Subiu pouco mais de 6% em 2010 contra a alta de quase 10% do Dow Jones, segundo dados da Economatica. Isso ocorre porque no ano passado o movimento foi o contrário: a Bovespa se valorizou mais do que os outros mercados.

"Mesmo estando atrás, a Bovespa está próxima do recorde histórico e as outras bolsas ainda não chegaram nele, tem mais espaço para se valorizar", avalia o economista da WinTrade, José Góes. A corretora projeta o Ibovespa a 79 mil pontos no fim do ano, algo difícil de ser atingido segundo o economista.

Para o médio e longo prazo, os especialistas dizem que sempre vale a pena comprar ações, adotando o critério de seletividade. "Vale salientar que há ações que ainda não estão próximas às suas máximas e têm melhores perspectivas", diz o sócio-diretor da Alta Vista, Rogério Thomé, ao destacar os setores de consumo, bancos e construção civil.

Segundo dados da Economatica, da pontuação mínima da Bolsa desde 2008 (29.435 pontos, em outubro de 2008) até agora, o Ibovespa valorizou-se 148%. Nesse período, 34 ações subiram mais que o Ibovespa e 31 estão com uma alta menor. Bancos e varejo em geral, tiveram boa recuperação. Com rendimentos mais modestos estão energia, telecomunicações algumas empresas do setor de alimentos e bebidas, como JBS Friboi, BRF Foods e Marfrig.

As ações da Petrobrás igualmente aparecem com pouca valorização. As ordinárias subiram 124% aproximadamente e as preferenciais, 67%. "Apesar de o preço da Petrobrás estar baixo e a empresa ser a grande esperança do pré-sal, a grande concentração das ações nas mãos do governo dificultam um pouco o andamento do papel", avalia Thomé.

 

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