Bovespa segue mercado externo e cai 2,27%

Investidores venderam as ações motivados pelo rebaixamento dos papéis da Grécia e pela ata do BC dos EUA

Claudia Violante,

17 de dezembro de 2009 | 18h30

O clima de aversão a risco que tomou conta do mercado internacional nesta quinta-feira foi bastante sentido pela Bovespa, que além de não se aproximar dos 70 mil pontos ainda perdeu os patamares de 68 mil e 67 mil pontos na sessão - este último temporariamente. Os investidores reagiram às notícias ruins da véspera, entre elas o rebaixamento da Grécia, e adicionaram mais algumas, como os dados fracos de pedidos de auxílio-desemprego divulgados nos Estados Unidos.

A Bolsa paulista fechou em baixa de 2,27%, aos 67.067,96 pontos. 

 

Ontem, a Standard & Poor's seguiu a decisão da semana passada da Fitch e rebaixou o rating de crédito soberano de longo prazo da Grécia, de A- para BBB+, além de manter o rating em revisão para um novo possível rebaixamento. A decisão refletiu a avaliação de que as medidas anunciadas recentemente pelas autoridades gregas para reduzir o elevado déficit fiscal não devem levar a uma redução sustentável dos encargos da dívida pública.

 

Embora seja notícia velha, ela se juntou a um caldeirão de aumento da aversão ao risco, uma vez que estão ganhando força as preocupações sobre o déficit fiscais dos países, sobretudo na zona do euro. No início deste mês, a S&P também já havia rebaixado a perspectiva do rating da Espanha, o mesmo tendo acontecido com Portugal. Até mesmo o Reino Unido e os Estados Unidos estiveram nesse noticiário, depois que a Moody's afirmou no começo do mês que os dois países precisavam provar que poderiam reduzir o enorme déficit para evitar ameaças aos ratings de crédito AAA.

 

BC dos EUA

 

Esses temores pesaram sobre as bolsas também por causa do efeito póstumo do comunicado do Fomc. O texto veio praticamente todo em linha com as expectativas, mas o Fed reconheceu os sinais recentes de que a economia dos EUA está ganhando força após a pior recessão em décadas. Isso deu espaço para as apostas sobre a provável data para o início do aperto monetário do país, o que é negativo para a Bovespa, por exemplo.

 

Os investidores que colocaram dinheiro na Bolsa doméstica em 2009 não tiveram por que reclamar, já que os ganhos ultrapassam os 70%. Assim, a perspectiva de alta dos juros nos EUA é um chamariz forte para levá-los a realizar lucros, embolsando o que já ganharam aqui parar rumarem a um porto mais seguro. O próprio ganho no ano, no entanto, já é por si só uma justificativa para a realização, já que, às portas de 2010, são poucos os investidores que vão arriscar a rentabilidade conquistada.

 

O clima de aversão ao risco lá fora também contou com a contribuição dos dados de pedidos de auxílio-desemprego na última semana nos Estados Unidos, que surpreendentemente apresentaram alta de 7 mil, ante previsão de queda de 9 mil. O que amenizou um pouco o número ruim foi o recuo, pela 15ª queda consecutiva, quando se considera a média móvel em quatro semanas.

 

Às 18h17, o Dow Jones caía 1,03%, o S&P, 0,98%, e o Nasdaq, 1,04%. Citigroup recuava 7,83% no horário. A instituição anunciou ontem à noite a colocação para a venda de US$ 17 bilhões em ações ordinárias e US$ 3,5 bilhões nos chamados "equity units" como parte do acordo fechado no começo da semana com o governo dos Estados Unidos e reguladores para devolver US$ 20 bilhões tomados por meio do Programa de Alívio de Ativos Problemáticos (Tarp) e encerrar a participação acionária do governo no banco.

 

No Brasil, a queda da Bovespa foi generalizada, com perdas fortes das blue chips e ações de primeira linha, também por causa do recuo das commodities metálicas e do petróleo. Na Nymex, o contrato para janeiro terminou praticamente estável, em baixa de apenas 0,01%, a US$ 72,65. 

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