Bovespa segue NY e cai 2%; petróleo bate novo recorde

Dados ruins do mercado de trabalho americano puxaram queda de 3% nas bolsas em NY

Claudia Violante, da Agência Estado,

06 de junho de 2008 | 17h46

Depois do breve intervalo de ontem, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) voltou a fechar em baixa nesta sexta-feira, influenciada pelo fraco relatório do mercado de trabalho norte-americano referente ao mês de maio. Os números sinalizaram recessão na maior economia do planeta e levaram o dólar para baixo. Os investidores saíram à procura de ativos tangíveis e pressionaram metais, títulos de empresas americanas além de levar o petróleo para novos recordes. Diante do quadro de retração econômica nos EUA, as ações da Petrobras não acompanharam o petróleo e fecharam em baixa. Veja também:Preço do petróleo em alta Descoberta da Petrobrás O Ibovespa encerrou o dia abaixo de 70 mil pontos: -2,00%, aos 69.785,9 pontos. Oscilou entre a mínima de 69.515 pontos (-2,38%) e a máxima de 71.211 pontos (estabilidade). No mês e na semana, acumulou perdas de 3,87%, mas, no ano, ainda tem ganhos, de 9,24%. O volume financeiro negociado hoje totalizou R$ 5,865 bilhões (preliminar).  Nos EUA, o Dow Jones recuou 3,13%, o S&P, -3,09%, e o Nasdaq, -2,96%. O Departamento do Trabalho anunciou que a taxa de desemprego nos EUA subiu 0,5 ponto porcentual, o maior aumento em 22 anos, para 5,5% em maio, seu maior nível desde outubro de 2004 e que caracteriza recessão. Além disso, o número de vagas de trabalho (payroll) caiu 49 mil. Embora menor do que o previsto (-60 mil), os dados de vagas de abril e março foram revistos e mostraram queda maior do que o anunciado antes.  O recuo nas vagas em maio é o quinto mensal seguido, e seu reflexo sobre os ativos foi amplificado pelos dados de estoques no atacado nas empresas, que cresceram 1,3% em abril, bem mais do que o esperado pelos analistas (0,5%).  Tudo isso fez com que o dólar se enfraquecesse em relação a outras moedas no exterior, como o euro e o iene. Neste movimento, o petróleo disparou. O contrato para julho encerrou no recorde de US$ 138,54, alta de 8,41%, com elevação de US$ 10,75 em relação ao fechamento de ontem, a maior alta em valores na história. Na negociação intraday, outro recorde: US$ 139,12. Além do dólar, pressionaram o dólar as declarações do vice-primeiro-ministro israelense, Shaul Mofaz, de que não descarta atacar o Irã caso o país prossiga com seu plano de desenvolver armas nucleares; e o relatório do Morgan Stanley estimando o preço do óleo em US$ 150,00 o barril até 4 de julho.  Embora as condições tenham se deteriorado muito hoje, os analistas ainda não estão pessimistas com o Brasil e apostam que há espaço de recuperação no curto prazo. É bom destacar que na segunda-feira o presidente do Fed, Ben Bernanke, volta a discursar e, depois dos temores de hoje, ele bem pode adotar um tom mais tranqüilizador do que o de costume e reordenar as coisas temporariamente. A conferir.  Indecisos sobre qual sentido seguir com as ações da Petrobras, os investidores acabaram levando os preços dos papéis para um fechamento estável. As ações ordinárias (ON, com direito a voto) subiram 0,02% e as preferenciais (PN, sem direito a voto), 0,06%. Vale ON caiu 1,69% e Vale PNA, 2,57%. Apenas cinco ações do Ibovespa subiram.

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