Bovespa segue NY e despenca com temor de recessão mundial

Bolsa de São Paulo chega a cair mais de 8% e dólar sobe; mercados europeus também operam em forte queda

Redação,

16 Outubro 2008 | 12h24

Depois de subir mais de 1% logo no início do pregão, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) passou a operar em forte queda, influenciada pela piora nas bolsas de Nova York, que também abriram em alta, mas inverteram o sinal. Os temores de uma recessão neutralizaram o otimismo sentido depois que os governos dos Estados Unidos e de vários países europeus anunciaram pacotes de ajuda aos bancos. Às 12h12 (de Brasília), a Bovespa ampliava as perdas para 8,09%, para 33.851 pontos. O dólar comercial subia 2,82%, cotado a R$ 2,226.   Veja também: Confira as medidas já anunciadas pelo BC contra a crise  Compulsório demora a virar crédito no País Se banco não emprestar, BC tomará dinheiro de volta, diz Lula Fed não descansará enquanto não resolver crise, diz Bernanke Consultor responde a dúvidas sobre crise   Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise A cronologia da crise financeira  Dicionário da crise    Os índices da Bolsa de Nova York abriram em alta com dados favoráveis sobre inflação e desemprego nos EUA, mas não conseguiram manter os ganhos. A queda de 2,8% da produção industrial no mês passado naquele país, bem maior que o recuo de 0,8% previsto por analistas, ajudou a puxar os índices para baixo. Às 12h15 (de Brasília), Dow Jones caía 4,10%; Nasdaq recuava 3,83%; S&P 500 caía 4,49%.   As bolsas européias, já próximas do fechamento, também despencaram no final da manhã. Às 12h12 (de Brasília) Londres caía 6,24%; Frankfurt tinha queda de 6,28%; e Paris tinha baixa de 7,40%. Mais cedo, a RTS, uma das principais bolsas da Rússia, suspendeu as negociações no mercado de ações por uma hora após registrar queda de 7,5% em seu principal índice, de acordo com a agência de notícias Interfax.   A MICEX, outra bolsa russa, também chegou a suspender as negociações por uma hora, depois de seu índice técnico apresentar baixa superior a 5%. O índice referencial da MICEX operava em queda de 6,2% quando o pregão foi interrompido.   Balanços   Além dos indicadores, a manhã foi cheia de balanços, com destaque para nomes importantes do setor financeiro. Citigroup, que subia 0,86% no pré-mercado, anunciou prejuízo líquido de US$ 2,8 bilhões no terceiro trimestre, em meio a perdas de US$ 4,9 bilhões com títulos hipotecários e outros produtos de crédito.   Merrill Lynch subia 3,95%, após divulgar prejuízo líquido com operações continuadas de US$ 5,1 bilhões (US$ 5,56 por ação diluída), 112,5% maior do que as perdas de US$ 2,4 bilhões (US$ 2,99 por ação diluída) no terceiro trimestre de 2007. O prejuízo líquido foi de US$ 5,2 bilhões (US$ 5,58 por ação diluída) no período. Bank of NY Mellon avançava 6,32%, embora tenha anunciado queda de 54% de seu lucro líquido no terceiro trimestre, para US$ 303 milhões.   Dólar   Nesta quarta, o Banco Central (BC) voltou a vender dólares. A entidade vendeu US$ 1 bilhão em leilão de dólares com compromisso de recompra em 20/04/2009. Neste tipo de operação, os bancos adquirem os dólares com o compromisso de devolvê-los ao BC em prazo determinado. O montante adquirido é convertido em reais e pode ser abatido do recolhimento compulsório aplicado sobre os depósitos interfinanceiros de empresas de leasing.   Pessimismo   Depois de duas sessões consecutivas em alta, na esteira do otimismo com a recapitalização de bancos na Europa e nos Estados Unidos, a bolsa paulista volta a acusar o pessimismo dos investidores com um cenário de queda nos lucros de empresas.   Na quarta-feira, a Bovespa fechou em queda de 11,39% - a maior em dez anos -, aos 36.833 pontos, seguindo a piora nos mercados de Nova York após as declarações dadas pelo presidente do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), Ben Bernanke.   Destacando as ameaças ao crescimento econômico, Bernanke alertou que os mercados de crédito levarão tempo para descongelar e acrescentou que, mesmo se os mercados financeiros se estabilizarem, a economia não irá se recuperar logo em seguida. O Livro Bege do Fed também mostrou que a atividade econômica e o mercado de empregos sofreram um enfraquecimento em todos os 12 distritos do Federal Reserve em setembro.   (com BBC Brasil e Agência Estado)

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