Bovespa segue Wall Street, mas recua 'só' 0,84%

Dúvidas quanto ao plano dos EUA criaram ambiente de aversão a risco reforçado e balanços ruins

Claudia Violante, da Agência Estado

12 de fevereiro de 2009 | 18h25

As dúvidas quanto ao alcance dos planos de estímulo econômico nos Estados Unidos - bem como em relação às medidas em si, no caso do pacote do Tesouro - criaram um ambiente de aversão a risco reforçado pela continuidade de indicadores frágeis e balanços ruins. Isso levou a uma queda generalizada nas bolsas de valores mundiais, embora a Bovespa tenha encontrado um ponto de suporte importante que acabou por limitar as perdas.   Veja também:    Dólar fecha estável após dia volátil por dúvidas com EUA De olho nos sintomas da crise econômica  Dicionário da crise  Lições de 29 Como o mundo reage à crise       O Ibovespa terminou a sessão em queda de 0,84%, aos 40.500,79 pontos. Tocou a mínima de 39.992 pontos (-2,09%) e a máxima de 41.082 pontos (+0,58%). No mês, acumula elevação de 3,06% e, no ano, de 7,86%. O giro somou R$ 3,666 bilhões. Os dados são preliminares.   A onda de pessimismo que abateu o mercado hoje foi tão forte que nem mesmo o fato de o principal indicador aguardado nos Estados Unidos, o de vendas no varejo, ter sido positivo desanuviou o ambiente. Pela primeira vez em sete meses, as vendas cresceram 1% em janeiro, ante previsão de queda de 0,8%. Os especialistas interpretaram o dado como sendo um ajuste.   A diminuição de oito mil no número de pedidos de auxílio-desemprego na última semana nos EUA também não agradou, mas por causa do dado que mostra a média móvel em quatro semanas. Neste caso, o resultado cresceu 24 mil, para 607,5 mil, o maior nível desde novembro de 1982. Já os estoques das empresas caíram 1,3% em dezembro, a maior queda desde o declínio recorde de 1,5% de outubro de 2001.   Com a demanda menor por produtos finais, as commodities também despencaram hoje. No caso do petróleo, o produto afundou pela quinta sessão seguida e fechou a US$ 33,98, em baixa de 5,45%.   Os investidores não estão conseguindo ver a luz no final do túnel, principalmente depois que o governo Obama não sanou as dúvidas sobre como funcionará o plano para adquirir ativos tóxicos do sistema. Também o pacote que deve ser aprovado até amanhã pelo Congresso será menos ousado do que queria o novo presidente norte-americano - e pode ter efeitos menos eficazes.   Às 18h20, o Dow Jones caía 2,22%, o S&P, 2,12%, e o Nasdaq, 1,27%, com os bancos entre as maiores quedas. Na Europa, os temores norte-americanos também pesaram, assim como a queda na produção na zona do euro e balanços ruins. Hoje, a Espanha engrossou a lista dos países que estão em recessão técnica, ao anunciar um recuo de 1% no PIB do país no quarto trimestre.   Em Londres, o índice FT-100 caiu 0,76%; em Paris, o índice CAC-40 perdeu 2,09%; e, em Frankfurt, o índice Dax-30 teve queda de 2,70%.   No Brasil, o Ibovespa chegou a operar no azul no meio da tarde, depois que alguns pontos de suporte, do índice e de algumas ações, foram atingidos ao longo da sessão. "Havia um suporte nos preços das blue chips, mas a bolsa começou a diminuir as perdas depois de cair, momentaneamente, abaixo dos 40 mil pontos", comentou um experiente profissional.   A recuperação momentânea da Bovespa para o azul - e a diminuição das perdas até o final da sessão - foi patrocinada principalmente pela inversão para cima das ações da Petrobras. No final, entretanto, as ações recuaram, 0,76% a ON e 0,41% a PN.   Vale também melhorou na parte da tarde, mas também não teve gás para sustentar-se em alta. A ON terminou em baixa de 1,89% e a PNA, 1,62%. O noticiário no setor minerador foi bastante rico hoje, com o principal destaque reservado à Chinalco, que vai formar uma parceria estratégica com a Rio Tinto, no valor de US$ 19,5 bilhões.

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