Bovespa sobe 2,08% com notícia sobre fundo europeu

Cenário:

CLAUDIA VIOLANTE , O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2011 | 03h06

A melhora de humor experimentada ontem no começo da tarde evoluiu para otimismo na última hora de pregão na Bovespa e em Nova York. As ações dispararam, com a notícia do jornal britânico The Guardian de que França e Alemanha teriam concordado em ampliar o fundo de resgate europeu para € 2 trilhões. O jornal cita como fontes diplomatas da União Europeia. Mas, assim como tem ocorrido nessa crise financeira, essa pode ser mais uma ilusão. O mercado, porém, logo "comprou" a informação como sendo verdade. Com isso, os investidores deixaram de lado o mau humor com a desaceleração da economia chinesa, com o alerta feito na segunda-feira pela agência de classificação de risco Moody's sobre a França, com a deterioração das expectativas econômicas na Alemanha e com o rebaixamento pela agência Standard & Poor's das notas de crédito de 23 bancos italianos. Em Wall Street, o Dow Jones avançou 1,58%, o S&P 500, 2,04% e o Nasdaq, 1,63%.

A Bovespa apagou a queda da véspera e subiu 2,08%, reassumindo os 55 mil pontos. Até mesmo a Vale, cujas ações chegaram a recuar 2% ontem penalizadas pela queda do preço do minério de ferro e pela menor expansão da China no terceiro trimestre, inverteu o jogo e terminou a terça-feira em leve alta. Vale ON teve avanço de 0,41%, enquanto a PNA subiu 0,15%. Ontem, em depoimento no Congresso o presidente da mineradora, Murilo Ferreira, disse que a desaceleração da economia chinesa não preocupa a Vale. "Cresceu 9,1%. Você acha pouco? Numa margem estatística dessas, 9,1% ou 9,2% não é o problema", disse ele.

Após o fechamento das bolsas, fonte próxima às negociações europeias disse que a informação sobre a ampliação do fundo de resgate está "totalmente errada" e que até sexta-feira, quando os ministros das finanças do Eurogrupo se reúnem, não haverá acordo.

No mercado de juros, salvo alguma zebra por parte do Comitê de Política Monetária (Copom), está cimentada a aposta em corte moderado, de 0,50 ponto porcentual, na taxa básica de juros, nesta quarta-feira. Os dados de inflação conhecidos ontem (IGP-10 e IPC-Fipe) e a criação de postos de trabalho com carteira assinada acima do esperado em setembro não alterassem tal cenário.

Já o dólar teve um dia de muita volatilidade, No final, a moeda norte-americana cedeu 0,17%, para R$ 1,7610 no balcão, influenciada por fluxo cambial levemente positivo e pela recuperação das bolsas lá fora e aqui.

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