Bovespa sobe mais de 3% depois da decisão do Fed

Apesar de corte de juros ser menor do que o esperado, Fed dá mais um sinal de que tenta amenizar crise

Da Redação,

18 de março de 2008 | 16h13

Logo após o anúncio da decisão do banco central norte-americano (Federal Reserve), que cortou a taxa básica de juros do país para 2,25% ao ano, as bolsas nos Estados Unidos e no Brasil reduziram parte da alta, pois o corte anunciado foi menor do que o esperado - expectativa era de 1 ponto porcentual e corte foi de 0,75. Contudo, o mercado retomou a tendência mais alta e, às 16h15, uma hora após a decisão do Fed, o índice Dow Jones está em alta de 2,48% e a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera na máxima, em alta de 3%. Veja também: Juro americano cai para 2,25% e Fed sinaliza novas reduções Petróleo fecha perto de US$110 com corte de juro do Fed Dólar fecha abaixo de R$1,70 com reação a juros nos EUA   Em comunicado divulgado após a decisão, O Fed deixou claro que novos cortes virão. Isso porque as condições de crédito continuam difíceis, a economia está em desaceleração e a inflação deve ficar moderada ao longo dos próximos três meses, diz o texto.  Apesar de ser menor do que o esperado, com a decisão de hoje, o Fed dá mais um sinal de que usará todas as suas ferramentas para amenizar os efeitos da crise no setor bancário norte-americano. A instituição já tomou uma série de medidas radicais para tentar estabilizar o sistema financeiro: reduziu a distância entre a taxa de redesconto e a taxa dos fed funds - taxa overnight que os bancos cobram entre si em empréstimos -; financiou US$ 30 bilhões para o JPMorgan comprar o Bear Stearns; e montou um novo programa para fornecer dinheiro para uma ampla variedade de instituições financeiras grandes. O total da operação chega a US$ 200 bilhões. Apostas no Fed O mercado financeiro gostou. O corte de 0,75 ponto porcentual pode ser uma decepção para alguns, diz Jim Caron, estrategista de renda fixa do Morgan Stanley. Mas, essencialmente, foi apenas nos últimos poucos dias que se viu a precificação de um corte maior e "o Fed fez o que nos prometeu há um semana", opinou o analista. Alguns podem se sentir "um pouco enganados, mas, na realidade, não foram". Os programas de liquidez que o Banco Central adotou devem ir longe para "reduzir a necessidade de corte de juro agressivamente", destacou, acrescentando que um outro corte em abril continua provável. O estrategista Ian Lyngen, da RBS Greenwich Capital Markets, disse que o Federal Reserve fez "uma grande aposta" ao reduzir as taxas de juro de maneira menos agressiva do que se previa. Para ele, isso sugere que os dirigentes do Fed "estão confiantes na capacidade dos recentes programas não-tradicionais de empréstimos para lidar com a situação de liquidez enfrentada pelos bancos. Vamos ver o que acontece nos próximas semanas quanto a isso". Lyngen também observou que a reunião de hoje teve dois votos dissidentes, o maior número em qualquer reunião desde que Ben Bernanke assumiu o comando do Fed, o que "claramente inclina modestamente para baixo as expectativas quanto a futuras reduções das taxas de juro". Segundo o estrategista, aparentemente o Fed quer dar tempo para que seus novos programas de empréstimos a instituições financeiras consigam aliviar as pressões sobre os mercados, antes de tentar qualquer medida mais radical no que se refere às taxas de juro.

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