Bovespa sobe mais de 5%, ajustando-se à alta nos EUA

Notícia de plano de resgate para ajudar as seguradoras de bônus ajuda a animar os mercados nesta quinta

Agência Estado,

24 de janeiro de 2008 | 15h04

A Bolsa de Valores de São Paulo registra forte alta nesta quinta-feira, 24, refletindo um ajuste à alta das bolsas nos EUA na quarta na última hora de pregão, depois de o mercado brasileiro de ações ter fechado em queda de 3,32%. Às 14h58, o principal índice da Bolsa subia 5,60%, aos 57.269 pontos.   Veja também: Bolsas asiáticas mantêm recuperação; Hong Kong destoa e cai Société Générale anuncia perda de 4,9 bi de euros com fraude  Veja como ficam seus investimentos com a crise nos mercados  Especialistas recomendam cautela com ações  Entenda a crise nos Estados Unidos   Celso Ming comenta a crise no mercado financeiro     O índice Dow Jones e o Nasdaq, que chegaram a se desvalorizar mais de 2%, encerraram a quarta-feira com ganho de 2,50% e 1,05%, respectivamente, após a notícia de que estaria sendo montado um plano de resgate para ajudar as seguradoras de bônus, como Ambac e MBIA. Essa expectativa também reanimou as bolsas européias durante a manhã, que assim como a Bovespa não pegaram a virada em Wall Street na véspera.   Mas nos EUA, a valorização foi bem modesta e no início da tarde o Dow Jones chegou a tocar o terreno negativo, o que endossa, mais vez, o quão o mercado está volátil. "O mercado não está vivendo um dia de cada vez, mas uma hora de cada vez", afirmou uma fonte.   O mercado acompanha com mais atenção do que nunca a movimentação de capital externo na Bovespa, um termômetro importante para medir a aversão ao risco. No mês, até o dia 21, a Bovespa contabilizar saldo negativo de R$ 4,511 bilhões, mais do que a perda registrada em todo o ano passado, de R$ 4,235 bilhões.   Em mais uma tentativa de domar a crise financeira, a Casa Branca informava no início da tarde que pode sair ainda nesta semana um acordo de estímulo econômico com congressistas, mas se negou a comentar especulações de que um pacote seria anunciado já nesta quinta-feira.   Ao mesmo tempo, pipocavam mais notícias ruim vindas do setor financeira. As ações da seguradora de bônus Security Capital Assurance despencaram 9%, depois que a Fitch rebaixou seu rating AAA em oito graus para BBB, perto do piso do nível considerado investment grade.   Na Europa, as bolsas sustentavam o sinal de recuperação, com a Bolsa de Frankfurt subindo 5,39% e Londres +3,82% às 13h36. Paris registrava ganho de 4,38%, a despeito da descoberta de uma fraude de 4,9 bilhões de euros (cerca de US$ 7,1 bilhões) no banco francês Société Générale relacionada à atividade de um trader.   O SocGen anunciou uma baixa contábil adicional de 2,05 bilhões de euros de ativos ligados ao subprime e que planeja levantar 5,5 bilhões de euros em capital "nas próximas semanas" para cobrir parte das perdas. As ações do SocGen, que chegaram a ser suspensas no início do pregão, desabaram 6%.   O nome do operador foi mantido em segredo pela manhã, mas a identidade foi revelada à tarde. Jérome Kerviel, de 31 anos, seria o responsável pelas fraudes. Segundo o banco, o operador trabalhou anteriormente no departamento de tecnologia de informação, responsável pelos controles, e isso permitiu que ele rompesse os típicos sistemas de segurança dos computadores - firewalls - que alertam quando um negócio das mesas de operações dá errado.   Ele fazia operações simples, conhecidas como "plain vanilla" - um termo usado para a forma mais básica de instrumento derivativo com contratos futuros, swaps ou opções. As posições do operador foram desmontadas pelo SocGen na segunda-feira, dia que coincidiu com o forte tombo dos mercados europeus.

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