Bovespa sobe, mas tem pior mês desde abril de 2004

Mesmo fechando em alta de 1,08% no último pregão do mês, Bolsa de SP acumula perdas de 10,65% em junho

Reuters e Agência Estado,

30 de junho de 2008 | 17h10

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) encerrou o primeiro semestre numa sessão marcada por ganhos, o que não a impediu de ter o pior resultado mensal desde abril de 2004. De acordo com os dados, o Ibovespa avançou 1,08%, para 65.017 pontos, nesta segunda-feira, 30. O volume negociado foi de 4,2 bilhões de reais, o segundo menor em junho. No mês, o índice da bolsa teve queda de 10,65%, só menor do que os 11,45% de queda registrados há 50 meses.   Veja também: Mercado vê dólar abaixo de R$ 1,60 no curto prazo   Valendo-se de um dia mais calmo no cenário internacional, gestores aproveitaram-se para atuar na compra de papéis mais líquidos e com mais peso no índice, para amortecer parte das perdas das carteiras vinculadas ao Ibovespa.   Assim, blue chips apareceram entre as líderes de ganhos. Foi o caso das preferenciais da Petrobras, com avanço de 2,03%, a R$ 46,22, e as preferenciais da Gerdau, subindo 3,57%, a R$ 38,32.   Exuberância   Depois de muita volatilidade, dois investment grade e seis meses passados, os investidores em ações estão se perguntando onde está a exuberância que foi sinônimo de Bovespa nos últimos cinco anos. De 2003 a 2007, o Ibovespa, principal índice da Bolsa paulista acumulou alta de 467%, mas, nos seis primeiros meses deste ano, amargava, até sexta-feira passada, ganho de apenas 1,76%.   "Foi um semestre muito complicado. Nada parecido com o que se viu nos últimos cinco anos", observa o economista-chefe da Ágora Corretora, Álvaro Bandeira.   Em artigo divulgado nesta segunda, o FT.com ressaltou que os mercados acionários globais caminham para a pior performance no primeiro semestre em 26 anos, após uma semana em que o petróleo atingiu recorde e as preocupações com a saúde do sistema financeiro e o crescimento mundial foram renovadas. Na sexta-feira, o índice de ações mundial MSCI, calculado pelo Morgan Stanley, havia caído 11,7% desde o começo do ano, o pior resultado para primeiro semestre desde o declínio de 13,8% nos primeiros seis meses de 1982.   O que vem puxando as quedas das ações atualmente é a mesma justificativa dada no final do ano passado - a crise norte-americana -, só que agora turbinada com a elevação da inflação ao redor do mundo. Os grandes bancos norte-americanos ainda não contabilizaram todas as perdas geradas a partir da crise no subprime e tampouco as empresas já livraram os balanços dos números ruins.   E a recuperação se torna ainda mais difícil agora com o petróleo batendo recordes sucessivos - e em patamares para lá de elevadíssimos. Além do aumento da demanda por China e Índia, e da oferta estreita do produto, que não avança no mesmo ritmo do consumo, os investidores têm procurado enlouquecidamente por esses contratos por conta do enfraquecimento da maior economia do planeta. Com o dólar enfraquecido, as commodities de maneira geral têm disparado. O que seria bom para o mercado doméstico de ações, dado que Petrobras e Vale são as principais ações do Ibovespa e respondem por um terço do índice.   Mas não é bem isso o que tem acontecido. Embora os analistas se revezem em repetir que as condições macroeconômicas domésticas são boas, que o Banco Central brasileiro está na vanguarda no combate à inflação por ter se antecipado ao ciclo de aperto monetário e a economia esteja aquecida, uma gripe no exterior ainda nos afeta. Isso significa dizer que até mesmo as ações ligadas a commodities podem cair com o enfraquecimento do PIB mundial. "Afinal, se houver retração econômica, o petróleo terá menos pressão de demanda e, com isso, as vendas diminuirão", justificou um analista que prefere não se identificar.

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