Bovespa sobe no dia, mas acumula perdas de 4% em março

Bolsa de São Paulo já registra baixas de 4,6% no ano; analistas prevêem continuação da volatilidade

Reuters,

31 de março de 2008 | 17h56

Depois de alternar alta e baixa diversas vezes durante o pregão, a Bolsa de Valores de São Paulo encerrou os negócios desta segunda-feira com valorização, na esteira dos ganhos em Wall Street. O Ibovespa, principal índice da Bolsa paulista, subiu 0,85%, aos 60.968 pontos. O giro financeiro somou apenas R$ 4,79 bilhões, um dos menores em 2008.   Veja também: Cronologia da crise financeira  Entenda a crise nos Estados Unidos   O sobe e desce do dólar  Veja os efeitos da desvalorização do dólar   Segundo profissionais do mercado, o movimento errático dos índices refletiu a indefinição dos investidores quanto ao efeito das notícias do dia sobre o futuro da economia norte-americana e seus desdobramentos sobre o mundo.   De um lado, veio a influência positiva de Wall Street. Os investidores das bolsas de Nova York reagiram com otimismo à proposta de um pacote do governo dos Estados Unidos que daria mais poderes ao Federal Reserve para lidar com eventuais crises de liquidez e à divulgação de um índice de atividade econômica do Meio Oeste do país, que veio acima das expectativas.   De outro, a pressão negativa das bolsas asiáticas e européias, que voltaram a cair, fechando com o pior desempenho trimestral em cinco anos, somou-se ao desânimo criado com as fortes quedas dos preços das commodities, o que atingiu as ações de pesos pesados da bolsa paulista, como Petrobras e Vale.   "Os fundamentos de oferta e demanda mundiais são positivos para as empresas brasileiras, embora o cenário de curto prazo da economia americana esteja cheio de incertezas", disse Daffi Dokuzian, superintendente de renda variável do banco Banif.   No final, as blue chips se recuperaram, puxando o índice. As ações preferenciais da Petrobras subiram 1,90%, a R$ 73,99, apesar da queda de quase US$ 4 no preço do barril de petróleo. Os papéis preferenciais da Vale avançaram 1,18%, a R$ 50,79.   As vilãs do dia foram as companhias aéreas. As ações preferenciais da GOL caíram 7,15%, a R$ 26,09, após a empresa divulgar projeções de resultados que desagradaram o mercado. E as preferenciais da TAM perderam 1,60%, a R$ 33,80, seguindo-se à divulgação de lucros menores da empresa no quarto trimestre de 2007.   Volatilidade deve persistir   Apesar do ganho no dia, o Ibovespa fechou março com queda acumulada de 4%. No ano, a perda é de 4,6%. Para Dokuzian, do Banif, nada garante que a volatilidade dos mercados nos próximos meses será menor.   "Ainda não está claro se os EUA vão entrar em recessão e qual a profundidade das perdas de bancos europeus com a crise norte-americana de crédito", disse.   "Não me sinto confortável para prever um movimento mais positivo da bolsa. Para quem aposta no longo prazo, tem boas chances, mas é preciso ter estômago de dragão", concluiu.

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