Bovespa sobe no dia mas acumula queda de 3,5% em agosto

A Bovespa resistiu à volatilidade em Wall Street num dia de sinais desencontrados da economia dos Estados Unidos e subiu, limitando as perdas do mês. Mas o cenário de incertezas deve prevalecer no final de 2010, segundo profissionais do mercado.

ALUÍSIO ALVES, REUTERS

31 de agosto de 2010 | 17h57

Apoiado nas blue chips Petrobras e Vale, o Ibovespa avançou 1,38 por cento, aos 65.145 pontos. O giro financeiro do pregão totalizou 9,43 bilhões de reais, influenciado pelo ajuste das novas carteiras do Ibovespa e do MSCI, do JPMorgan, segundo operadores.

"A sessão foi bem representativa do que tem pela frente: mais altos e baixos", disse o diretor de renda variável da Ágora Corretora, Álvaro Bandeira,.

A agenda desta terça-feira, de fato, pouco ajudou a direcionar as expectativas do mercado. Ao mesmo tempo em que celebrou a melhora inesperada da confiança do consumidor nos EUA, o investidor viu a atividade empresarial do Meio-Oeste do país evoluir abaixo das expectativas em agosto.

À tarde, a divulgação da ata da última reunião do Federal Reserve deixou as bolsas nova-iorquinas oscilando em torno do zero até o final do pregão. A Bovespa, que havia caído bem mais que as globais na véspera, manteve-se no azul, amparada por compras de gestores de fundos, interessados em aliviar as perdas do mês. O Ibovespa caiu 3,5 por cento em agosto.

Em franca contraposição ao movimento negativo das commodities, as ações domésticas mais importantes foram as que mais suporte deram ao índice. O papel preferencial da Vale, que na quarta-feira assume o posto de mais importante do Ibovespa, subiu 1,79 por cento, a 41,43 reais.

O papel preferencial da Petrobras, que cai para a vice-liderança na recomposição da carteira teórica para o último quadrimestre de 2010, recuperou-se parcialmente do tombo de mais de 4 por cento registrado na véspera, subindo 2,40 por cento, a 26,06 reais.

Altas setoriais de bancos, construtoras e de empresas de alimentos deram fôlego adicional ao Ibovespa. Em destaque, Brasil Foods ganhou 4,62 por cento, a 23,55 reais, seguida por JBS, com alta de 3,33 por cento, a 7,45 reais.

Dentre os bancos, Itaú Unibanco foi o melhor, com elevação de 2,91 por cento, a 37,82 reais. Banco do Brasil, que teve reforçada a recomendação de compra para seus papéis pelo UBS, ganhou 2,85 por cento, a 28,48 reais.

PERSPECTIVAS

Segundo profissionais do mercado, os próximos meses devem ser de volatilidade, ainda que relativamente limitada.

Por um lado, o fim da fase aguda da crise europeia e o cenário base de que os EUA não entrem numa nova recessão devem evitar perdas mais acentuadas das ações, considera o analista Gabriel Goulart, da Mercatto Investimentos.

De outro, as contínuas evidências de enfraquecimento dos EUA, ao mesmo tempo em que a China tem leve desaceleração, seguirão deixando os investidores em alerta, enquanto realinham suas expectativas.

Em relatório, a Itaú Corretora fixou sua previsão de que o Ibovespa atingirá 85 mil pontos no final de 2011. Meses atrás, esse objetivo foi traçado por algumas corretoras para o fim de 2010.

Ainda nesta semana, importantes números das duas locomotivas da economia mundial podem ajudar a balizar as expectativas. Nesta madrugada, a China anuncia qual foi sua atividade industrial em agosto. Os EUA anunciam na sexta-feira os números do mercado de trabalho neste mês.

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