Bovespa tem 2ª maior queda do ano com Petrobras e Vale

Queda nos preços das commodities no exterior afeta ações de empresas brasileiras na Bolsa de SP

Claudia Violante, da Agência Estado,

19 de março de 2008 | 17h37

O impacto da reunião do Federal Reserve de terça-feira sobre a Bolsa de Valores de São Paulo teve fôlego muito curto. O principal índice da Bovespa derreteu nesta quarta, em função do tombo das ações da Vale e Petrobras. Os papéis foram penalizadas pelo recuo das commodities no exterior, assim como pela saída de investidores estrangeiros no mercado doméstico.   Veja também:Petróleo fecha em queda de US$ 5, a maior desde 1991Dólar sobe quase 2%, mas fluxo ao país sinaliza quedaResultado do Morgan Stanley é melhor que o previsto 'Crise é 30 vezes maior que a de 1998', diz LulaCronologia da crise financeira  O Ibovespa perdeu mais de 3 mil pontos e perdeu inclusive o suporte de 59 mil pontos. Encerrou em baixa de 5,01%, aos 58.827,4 pontos, na segunda maior queda porcentual de 2008 - atrás apenas dos 6,6% de 21 de janeiro. Na mínima do dia, atingiu 58.805 pontos (-5,05%) e, na máxima, bateu em 62.372 pontos (+0,71%). No mês, a Bolsa acumula perdas de 7,34% e, no ano, de 7,92%. O volume financeiro negociado nesta quarta totalizou R$ 6,836 bilhões (preliminar).  No exterior, os contratos para abril do petróleo negociados na Nymex recuaram 4,51%, para US$ 104,48, apesar de os dados semanais dos estoques norte-americanos terem vindo mais fracos do que as projeções dos analistas: os estoques de petróleo subiram 133 mil barris (projeção de +2,1 milhões de barris), enquanto os estoques de gasolina caíram 3,4 milhões de barris (+300 mil barris de projeções). Com isso, as ações da Petrobras foram muito castigadas: as PN, líderes individuais no giro do pregão doméstico, com R$ 1,273 bilhão, recuaram 7,50% - a terceira maior baixa do Ibovespa - enquanto as ON recuaram 6,9%. Empurrada pelo enfraquecimento dos metais no exterior, Vale também tombou: ON -6,87% e PNA -7,21%.  Vale PNA e Petrobras ON também foram a porta de saída dos investidores estrangeiros, que deixaram o mercado doméstico à procura de ativos mais seguros. No exterior, o Dow Jones recuou 2,36% o S&P, 2,43%, e o Nasdaq, 2,57%. As preocupações do Fed com a inflação, mostradas na terça no comunicado do banco, desencadearam o movimento de desmonte de carteiras e de venda de commodities desta quarta. Ao reduzir a taxa básica de juros em 0,75 ponto e não 1 ponto como previa a grande maioria do mercado, o Fed deu sustentação ao dólar, e as commodities, que vinham sendo procuradas como ativos mais seguros em meio à queda da moeda norte-americana, acabaram sofrendo.  Além disso, ao manter o juro num patamar um pouco mais alto, o Fed contém o consumo e isso gera uma demanda menor de commodity, com o mesmo resultado sobre os preços. "A dissolução de dois fundos externos, um deles o Carlyle Capital, reforçou essa postura refratária dos investidores com os ativos mais arriscados", comentou um analista do mercado ao reforçar o movimento de saída de estrangeiros do mercado doméstico.

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