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Bovespa tem maior queda desde março e anula ganhos no mês

Bolsa teve perda de 4,75% e pontuação atingiu 60.162,31 pontos ; vendas foram lideradas por estrangeiros

Alessandra Taraborelli, da Agência Estado,

28 de outubro de 2009 | 18h37

A Bovespa não só estendeu como aprofundou a realização de lucros iniciada na terça-feira, 27. Mais uma vez, as vendas foram lideradas pelos investidores estrangeiro que estão embolsando os lucros acumulados no ano na esteira da aversão ao risco que tomou conta dos negócios. O Ibovespa fechou com queda de 4,75%, o maior declínio desde 2/3/2009, A pontuação atingiu 60.162,31 pontos, nível mais baixo desde 24 de setembro deste ano. Com a performance desta quarta-feira, 28, a Bolsa passou a registrar queda de 2,20% em outubro. O giro financeiro somou R$ 9,053 bilhões. Na máxima, o índice paulista atingiu 63.173,10 pontos e na mínima, 60.146,38 pontos.

 

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Nesta quarta-feira, 28, as encomendas de bens duráveis e vendas de imóveis novos nos EUA decepcionaram os investidores, assim como os balanços apresentados na Europa, lançando mais dúvidas sobre o ritmo de recuperação da economia global. Na terça, o índice de sentimento do consumidor nos EUA, abaixo do esperado pelo mercado já havia induzido um movimento de realização de lucros.

 

Para o professor do MBA Executivo da Brazilian Business School (BBS), Ricardo Torres, além dos dados ruins nos EUA que fizeram crescer a preocupação de que o Fed poderá elevar o juro do país antes do esperado, existem mais dois fatores que justificariam o movimento. Um deles é que as políticas governamentais de estímulo fiscal e monetário, adotadas por alguns países após o início da crise no ano passado, estão chegando ao fim em meio à divulgação de dados econômicos fracos. "O temor de que haja inflação nos EUA aumentou a expectativa de que a taxa de juro pode subir. Por isso, quem tem ação aqui vende, embolsa o lucro e usa o dinheiro para liquidar dívida atrelada aos juros. É a chamada desalavancagem", explica.

 

Outro fator, agora sazonal, segundo Torres, é que nos EUA alguns bancos, instituições financeiras e empresas encerram o balanço fiscal em outubro. Por conta disso, as filiais precisam remeter os lucros para as matrizes, o que explica, em parte, a saída de investidores estrangeiros da bolsa nesta época do ano. "Esse movimento costuma acontecer depois do verão no hemisfério norte, entre setembro e outubro. As empresas procuram mostrar ao investidor um balanço com pouco risco e pouca exposição de caixa. Essa é uma característica de reformulação de carteira", disse Torres.

 

Nos EUA, as vendas de imóveis em setembro caíram 3,6% em setembro, ante expectativa de aumento de 2,6%. Essa é a primeira queda após cinco meses seguidos de aumento. As encomendas de bens duráveis, por seu lado, aumentara apenas 1% em setembro, inferior à estimativa de crescimento de 1,5%. O Dow Jones fechou com queda de 1,21%; o S&P 500 -1,95% e o Nasdaq -2,67%.

 

Na Europa, as bolsas fecharam em baixa pela quarta vez em cinco sessões, à medida que resultados de empresas, como a alemã SAP, pesaram sobre um mercado já nervoso a respeito do cenário econômico. Mas o declínio ocorreu também após os dados sobre o recuo inesperado nas vendas de casas novas nos Estados Unidos em setembro. Alguns analistas dizem que pode estar em curso uma correção no mercado. O índice FTSE 100 da Bolsa de Londres caiu 2,32% para 5.080,42 pontos, enquanto o índice alemão DAX de Frankfurt recuou 2,46% para 5.496,27 pontos. O índice francês CAC-40 perdeu 2,14% em Paris para 3.663,78 pontos. Em Madri, o IBEX35 caiu 1,76% para 11.429,80 pontos.

 

Ainda por aqui, as ações da Vale amargaram outro dia de queda - as PNA caíram 4,53%, a R$ 37,85, e as ON, -4,34%, a R$ 42,71. Os papéis sofreram a queda dos metais. Os metais básicos fecharam em queda na London Metal Exchange (LME) pelo terceiro dia consecutivo, pressionados pela recuperação do dólar e a fraqueza nos mercados de ações. Além disso, a companhia anuncia seu balanço no início da noite. O lucro líquido da companhia no terceiro trimestre deste ano deve ser afetado por preços mais baixos do minério de ferro e menores volumes de vendas, o que segundo a média de analistas ouvidos pela Agência Estado deve levar a um resultado 62% menor, para US$ 1,8 bilhão, ante o terceiro trimestre de 2008.

Para completar, o clima externo não foi muito benigno nesta quarta-feira para o setor de mineração e siderurgia. Os papéis das principais empresas de siderurgia na Bovespa caíram mais de 4%, sendo que MMX ON desabou 9,28%, a R$ 10,85, na liderança do Ibovespa.

 

O mercado teve de assimilar balanços desfavoráveis de empresas, entre eles o da ArcelorMittal. A maior siderúrgica do mundo anunciou uma queda de 76% na receita líquida para US$ 903 milhões, de US$ 3,82 bilhões um ano antes, e o lucro antes de impostos cedeu 81% para US$ 1,59 bilhão, abaixo do esperado. O resultado desapontador da ArcelorMittal também contribui para queda das bolsas na Europa.

 

Outra blue chip, Petrobras PN perdeu 4,75%, a R$ 34,24, e a ON -3,08%, a R$ 40,25, acompanhando a queda do petróleo. A commodity para dezembro em Nova York encerrou com declínio de 2,63%, a US$ 77,46.

 

Fora do índice, chamou a atenção a ação ON da Cetip, que em sua estreia na BM&FBovespa nesta quarta-feira, 28, fechou com queda 9,53%, a R$ 11,76, abaixo dos R$ 13 definidos para a ação ON na oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês), que movimentou R$ 881,373 milhões. A decisão do governo de cobrar 2% de Imposto sobre Operações Financeiras do investidor estrangeiro que investir em ações no Brasil influenciou no preço, segundo uma fonte. Desde o início da cobrança do IOF, R$ 2,2 bilhões em capital externo deixaram a bolsa, de acordo com o presidente-executivo da BM&FBovespa, Edemir Pinto.

 

 

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