Bovespa vira a segunda maior Bolsa do mundo

Em valor de mercado (R$ 30,4 bilhões pela cotação de quinta-feira), Bolsa de Valores de São Paulo só fica atrás de sua similar de Hong Kong

Renée Pereira, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2010 | 00h00

O mercado de capitais brasileiro fechou a semana com boas notícias. Além da capitalização recorde da Petrobrás, a Bolsa de Valores de São Paulo (BM&F Bovespa) se tornou a segunda maior do mundo em valor de mercado (R$ 30,4 bilhões pela cotação de quinta-feira). Segundo o presidente da bolsa paulista, Edemir Pinto, agora a BM&F Bovespa só perde para a Bolsa de Hong Kong.

"Hoje somos 25% maior que as três principais bolsas do mundo: Nova York, Londres e Nasdaq", comemora o executivo, durante discurso na cerimônia de lançamento das ações da Petrobrás. Ele destacou que a bolsa tem feito um grande esforço para atrair novos investidores para o mercado acionário. Até 2014, a principal meta da BM&F Bovespa é elevar o total de 600 mil acionistas para 5 milhões. A tarefa, segundo ele, deve contar com alguns incentivos que ainda estão em elaboração.

Edemir Pinto, explicou que a instituição está trabalhando para reduzir os custos de transação para as pessoas físicas. O foco é a área de custódia de ações. Ele afirmou, ainda, que a bolsa ampliará a campanha publicitária com Pelé cujo foco é estimular o pequeno investidor a se manter acionista de uma empresa. "A partir do dia 4, a campanha será veiculada no Brasil todo", disse o executivo. Por ora, está restrita às praças de Curitiba (PR), Campinas (SP) e Belo Horizonte (MG).

Novos lançamentos. Outra frente de trabalho será incentivar novas empresas a abrir seu capital na bolsa. "De 2004 para cá 150 companhias fizeram o lançamento de ações. Nossa meta é conquistar mais 200 empresas nos próximos anos. E esta é uma meta conservadora", destacou ele, sem estabelecer prazos.

Segundo o executivo, se compararmos a quantidade de empresas que negociam suas ações na bolsa brasileira com as demais bolsas mundiais, ficamos muito atrás. "Por isso, temos de fazer um trabalho com as pequenas e médias empresas para que elas possam expandir, crescer e se tornar importantes para o Brasil."

Embora tenha se transformado na segunda maior em valor de mercado, a BM&F Bovespa é apenas a sexta maior em volume movimento de ações. Já no mercado de opções, a bolsa paulista ocupa a primeira posição no ranking mundial, com as operações de Petrobrás e Vale. Outro mercado importante é de taxa de juros, em que a bolsa brasileira já ocupa a segunda posição.

Durante a cerimônia da capitalização da Petrobrás, Edemir Pinto não perdeu a oportunidade de fazer reivindicações ao governo federal, em especial ao presidente Lula, a quem teceu uma série de elogios.

Ele pediu a redução de taxas e a concessão de maiores incentivos à entrada de novos investidores no mercado de capitais. "Devemos buscar novos patamares de excelência. Pedimos uma mudança na cobrança do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Não faz sentido a incidência deste custo, que impacta diretamente sobre as empresas de pequena e médio porte que poderiam estar usando a Bolsa", disse o executivo.

Sobre a capitalização da estatal, ele afirmou que se trata de um "marco para o mercado que simboliza a magnitude da capitalização da Petrobrás para o Brasil e para o mundo". "A história da economia brasileira e do mercado mundial de capitais passa a se dividir em antes e depois da capitalização da Petrobrás." /COLABORARAM LEANDRO MODÉ E KELLY LIMA

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