Bovespa vira e passa a subir durante a tarde

Durante quase todo o pregão, Bovespa teve queda por conta da mudança na taxa dos compulsórios dos bancos

Economia & Negócios e Agência Estado,

25 de fevereiro de 2010 | 15h59

Após uma manhã de ajuste, a Bolsa de Valores de São Paulo opera em alta durante a tarde. Às 16 horas, o índice Bovespa (Ibovespa) subia 0,45%, para 66. 105 pontos, buscando a pontuação máxima o dia. Durante quase todo o pregão pesou sobre o mercado a mudança nos compulsórios bancários, anunciados pelo Banco Central (BC).

O impacto da reversão dos estímulos monetários do BC aparece com mais nitidez nos papéis dos bancos. Para eles, a medida é negativa, porque restringe a liquidez no sistema financeiro. "Os bancos terão menos recursos para destinar ao crédito. Na prática, a taxa Selic não sobe, mas o spread (diferença entre as taxas de captação e de as de empréstimos) tende a aumentar para o tomador final, com o aumento do custo de captação", afirma o sócio gestor da Humaitá Investimentos, Márcio Macedo.

Com a medida tomada na quarta-feira, 24, o governo deseja justamente esfriar a demanda por crédito, para evitar o risco de inflação. O BC vai recolher R$ 71 bilhões dos R$ 99,8 bilhões injetados no sistema financeiro em 2008 em depósitos compulsório para irrigar os bancos.

Do ponto de vista do mercado de juros, a mudança tende a afastar a aposta de alta da Selic (a taxa básica de juros da economia) em março. Hoje, dois indicadores divulgados reforçam que o BC pode ter que agir em abril. O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) subiu 1,18% em fevereiro, enquanto a taxa de desemprego avançou em janeiro para 7,2%.

 

Balanço

No caso do Banco do Brasil (BB), a reação ao compulsório pode ser encoberta pelo balanço divulgado hoje. O BB se consolidou no quarto trimestre do ano passado como a maior instituição financeira do Brasil. O volume de ativos do banco federal, que em dezembro de 2009 somava R$ 708,549 bilhões, supera em pouco mais de R$ 100 bilhões o segundo colocado, o Itaú Unibanco. Em 2009, o BB registrou lucro contábil de R$ 10,148 bilhões, uma alta de 15,3% na comparação com igual período do ano anterior. O lucro recorrente foi de R$ 8,506 bilhões, um avanço de 27,2% na comparação com 2008.

Além do BB, outras empresas de porte anunciaram resultados. Usiminas teve lucro líquido de R$ 633 milhões no quarto trimestre, com queda de 32% ante o mesmo período do ano passado. Em 2009, o lucro líquido também apresentou queda, de 58%, para R$ 1,344 bilhão.

Já a siderúrgica Gerdau mais que dobrou o seu lucro líquido no quarto trimestre de 2009, passando de R$ 311 milhões no mesmo trimestre de 2008 para R$ 643,5 milhões. No acumulado do ano, no entanto, o lucro apresentou queda de 79,6%, para R$ 1,005 bilhão, ante R$ 4,945 bilhões em 2008. A Natura registrou lucro líquido consolidado no quarto trimestre do ano passado de R$ 186,6 milhões, crescimento de 34,7% sobre igual período de 2008.

(Com Sueli Campos)

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