GABRIEL LORDELLO /ESTADÃO
GABRIEL LORDELLO /ESTADÃO

Bozano tenta vender participação de R$ 400 milhões na rede Hortifruti

Com fatia de 35% na rede de ‘sacolão de luxo’, Bozano Investimentos está de saída; dona de uma receita de R$ 920 mi no ano passado e de 31 unidades no Rio, São Paulo e Espírito Santo, Hortifruti deu início a conversas com fundos nacionais e estrangeiros

Mônica Scaramuzzo, O Estado de S. Paulo

19 Maio 2015 | 05h00

A rede Hortifruti, que tem o conceito de um ‘sacolão de luxo’, está em busca de um novo sócio. A Bozano Investimentos, que possui um braço de private equity e detém cerca de 35% do negócio, está de saída da empresa, apurou o Estado. Fundos de investimentos nacionais e estrangeiros estão avaliando a compra de participação na companhia.

Fundada em 1989 pelos empreendedores Gilberto Lopes e Tadeu Fachetti, no Espírito Santo, a rede Hortifruti, com 31 lojas - a maior parte delas no Rio de Janeiro -, registrou receita de R$ 922,4 milhões em 2014, um crescimento de 18% sobre o ano anterior.

A fatia da Bozano Investimentos, do empresário gaúcho Julio Bozano - ex-dono do banco Bozano, Simonsen (vendido ao Santander em 2000) - é avaliada em cerca de R$ 400 milhões, de acordo com fontes. Além do Hortifruti, a família Bozano tem sociedade minoritária em outras empresas, como a rede Amor aos Pedaços, Forno de Minas e Anima Educação.

Procurada pelo Estado, a companhia informou, por meio de um comunicado, que “o ciclo de investimento do fundo está chegando ao fim e é natural que o fundo fique atento a alternativas estratégicas para sua participação minoritária na companhia”. Já o grupo Bozano não quis comentar o assunto.

Fontes afirmaram que a butique de fusões e aquisições Greenhill, capitaneada por Daniel Wainstein, ex-presidente do Goldman Sachs, que assessora os acionistas, estaria coordenando a busca por novos investidores. Procurada, a Greenhill também não comentou o assunto.

“O conceito da rede Hortifruti, de vender frutas e legumes frescos, é bem difundido no Rio de Janeiro e tem muito potencial para crescer em São Paulo e outros Estados”, disse uma fonte de mercado. “Hoje, esse espaço é ocupado no varejo por grandes redes, mas a qualidade dos produtos não é a mesma de uma rede especializada, como o Hortifruti, por exemplo, ou mesmo de feiras livres”, disse.

Lucrativo. No ano passado, a rede Hortifruti registrou lucro líquido de R$ 25,4 milhões, aumento de 28,7% sobre o ano anterior. O Ebtida (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) encerrou em R$ 39,7 milhões, 34% acima do registrado em 2013. A empresa tem crescido a taxa de dois dígitos nos últimos anos, e deve acelerar seu processo de expansão para outros Estados.

“O conceito de varejo no qual o Hortifruti atua é considerado altamente lucrativo, com margens superiores às redes supermercadistas. Houve uma mudança no hábito de consumo da população, que tem buscado alimentos cada vez mais saudáveis”, disse uma fonte de um grande fundo de investimento.

A companhia tem dois centros de distribuição - um no Espírito Santo e outro no Rio -, além de ter unidades no Ceasa, no Rio, e no Ceagesp, em São Paulo.

A expectativa para este ano é abrir seis lojas, nos Estados onde já atua, de acordo com informações do balanço de resultados da companhia.

A rede, que transporta, mensalmente, aproximadamente 16 mil toneladas de frutas, legumes e verduras, possui frota própria de 239 veículos, e tem uma equipe de cerca de 5,5 mil funcionários. 

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