Rafael Arbex/Estadão
Rafael Arbex/Estadão

Bozano vence o ‘Broadcast Projeções’

Gestora liderou o prêmio que reconhece as instituições que mais acertaram estimativas para os principais indicadores macroeconômicos

Maria Regina Silva, Denise Abarca, O Estado de S.Paulo

01 Junho 2016 | 23h08

A Bozano Investimentos foi a grande vencedora da 10.ª edição do Prêmio Broadcast Projeções, que reconhece as instituições e economistas que mais acertaram estimativas para os principais indicadores macroeconômicos do País.

A edição 2015 do ranking promovido pelo serviço em tempo real da Agência Estado mostrou-se mais desafiadora do que nunca, já que o ano começou com a expectativa de que o comando da economia por Joaquim Levy levasse a uma retomada da confiança, mas acabou se mostrando o auge da crise política e da deterioração econômica. No período, o projeto de ajuste fiscal foi atropelado, o Brasil perdeu o grau de investimento e houve aprofundamento da recessão.

O sócio e economista da Bozano, Samuel Kinoshita, destacou que, na virada de 2014 para 2015, enquanto a média do mercado nutria algum otimismo para o segundo mandato da presidente Dilma, sua equipe estava mais pessimista.

“A Focus apontava para uma relação da dívida bruta com o PIB em torno de 58%, mas vários motivos mostravam que o caminho era perigoso, que passaria de 80% em 2018. O mercado foi percebendo isso somente ao longo de 2015. Isso, para nós, foi muito bom em termos de estratégia”, afirma Kinoshita, que participou ontem da cerimônia de premiação, ocorrida na sede do Grupo Estado. A Bozano ficou com o primeiro lugar nas categorias Top 10 Geral e Top 10 Básico.

“Lava Jato, políticos e executivos sendo presos, manifestações populares, a Bolsa muito volátil, o dólar subindo, a política mexendo nos preços dos ativos mais do que nunca e o impeachment na pauta: talvez 2015 tenha sido o ano mais difícil para os economistas acertarem suas projeções”, diz o diretor-geral da Agência Estado, Daniel Parke.

No momento, os economistas renovam o otimismo com relação à recuperação da economia a partir do novo governo de Michel Temer. “Mais do que uma mudança política, temos uma mudança em termos de política econômica, em particular na área fiscal, e é isso que permite antever um quadro bem melhor e mais otimista do que se tinha antes”, avalia o economista-chefe para a América Latina do BNP Paribas, Marcelo Carvalho.

A instituição conquistou a segunda colocação do Prêmio Broadcast Projeções, também nas duas categorias: o Top Básico, que considera IPCA, IGP-M, Selic e dólar e o Top Geral, que inclui também Produto Interno Bruto (PIB), balança comercial e relação entre dívida pública e PIB.

Na terceira posição, ficou a Santander Brasil Asset Management, tanto no Top 10 Geral quanto no Top 10 Básico. O economista-chefe da instituição, Ricardo Denadai, se disse bastante honrado com os prêmios. “Ninguém tem a pretensão de acertar em cheio as projeções, o objetivo é ficar mais próximo do resultado e ter a melhor compreensão possível do número observado.”

A editora-chefe do Broadcast, Teresa Navarro, destacou a importância das projeções dos economistas para todo o mercado e as empresas. “Com este prêmio, já são dez anos de parceria do Broadcast com as instituições financeiras, um trabalho que ajuda nas tomadas de decisões estratégicas”, diz.

Recuperação. A percepção de Denadai, da Santander Brasil Asset, é de que a recuperação da confiança dos agentes deve ocorrer até o fim do ano e terá impactos positivos perceptíveis em 2017. “Esperamos uma recuperação do mercado de trabalho em meados do ano que vem. A melhora da renda e do crédito é mais complicada”, afirma o economista.

Denadai estima que depois de dois anos de contração de cerca de 8% do PIB, é mais fácil a retomada em 2017. “Mas não é para estourar champanhe”, diz, projetando expansão de 1,5% em 2017.

Mesmo com a recuperação econômica, considerando que ela venha acompanhada de melhora fiscal, os economistas preveem recuo do IPCA à meta de 4,5% em 2017 e um ciclo de queda de juros já no segundo semestre deste ano. Denadai estima inflação de 7% em 2016 e de 5,5% em 2017. “Finalmente, vemos evidências de que a inflação de serviços começa a ceder”, acrescentou Carvalho, do BNP, que espera IPCA de 6,5% em 2016 e 4,5% em 2017, com avanço no PIB de 2%.

Carvalho ressaltou ainda que o cenário de redução da inflação abre espaço para queda de juros, com a Selic atingindo 13% no fim de 2016 e 9% em 2017. Na perspectiva da Bozano, o ciclo de afrouxamento começa em agosto, com a Selic encerrando 2016 em 12,75% e 2017 em 10,50%. Kinoshita espera alta de 3% do PIB em 2017. Para o IPCA, suas estimativas são de 7,2% em 2016 e de 5% em 2017.

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