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BP Bunge Bioenergia bate recorde após fusão

Sinergia deve trazer ganhos de R$ 1 bilhão nas próximas três safras de açúcar, etanol e bioeletricidade

Coluna do Broadcast Agro, O Estado de S.Paulo

22 de fevereiro de 2021 | 05h00

No primeiro ano-safra após a fusão das operações de açúcar, etanol e bioeletricidade da BP com a Bunge, o resultado em 2020/21 das onze usinas que compõem a joint venture deverá ser o melhor da história. O presidente do conselho da BP Bunge Bioenergia, Mario Lindenhayn, diz à coluna que os números fechados serão publicados em junho, mas já dá para fazer a projeção considerando que a moagem de cana-de-açúcar no Centro-Sul está praticamente encerrada.

A sinergia deve trazer ganhos de R$ 1 bilhão nas próximas três safras, em boa medida porque as equipes comerciais das duas empresas se complementam. Enquanto a da Bunge era forte na comercialização de açúcar, a da BP tinha expertise em etanol e energia. Além disso, a companhia tem um programa de integração das operações com mais de mil iniciativas no radar nas áreas de suprimentos, comercial e logística. “A BP e a Bunge não se uniram por necessidade, mas por oportunidade”, afirma Lindenhayn.

Produtiva

A união tem facilitado a antecipação das vendas de açúcar, para aproveitar os altos preços em reais, e deve contribuir para margens de lucro e receita maiores. A companhia já fixou valores para cerca de 80% da commodity na temporada 2021/22, que começa em abril no Centro-Sul, e de mais de 40% para 2022/23, que só se inicia em abril do ano que vem. Os ganhos também vêm do campo: a produtividade média da atual safra deve ser de cerca de 85 toneladas de cana por hectare, mais de 10% acima da temporada anterior. 

Mais cedo

A BP Bunge Bionergia prevê “capturar” já nesta temporada metade do R$ 1 bilhão esperado em sinergia. “Os preços das commodities subiram e mostramos comercialmente os avanços da nossa diversidade, com açúcar, etanol, cogeração e, desde 2020, com os CBIOs”, diz Lindenhayn sobre os certificados de descarbonização negociados com as distribuidoras de combustíveis.

Atesta

Apontado muitas vezes como vilão do meio ambiente, o agronegócio tem muito a ganhar com o alinhamento a critérios ESG (ambientais, sociais e de governança), aponta levantamento da PwC antecipado à coluna. O diagnóstico resultou de pesquisa com 385 profissionais de diversas áreas, dos quais 68,4% consideram essa agenda relevante para suas empresas e 54,8% muito relevante ao agronegócio. 

Efeito dominó

O levantamento apurou quais indicadores de ESG geram mais efeitos positivos para o setor. A renovação dos recursos naturais e o impacto climático positivo vieram em primeiro, com 18% cada um, seguidos por garantia de segurança dos alimentos (16,3%), qualidade na cadeia produtiva (15,2%), boas condições de trabalho (12,9%), fabricação de biocombustíveis (11,8%) e produção local (7,9%).

Voo alto

A Satis fechou 2020 com faturamento 43% maior e prevê crescer 20% neste ano. Endrigo Bezerra, CEO da empresa de nutrição vegetal, diz que o aumento das vendas em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Matopiba (Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia) e Pará puxou o resultado. Soja, milho e café foram as principais culturas atendidas. Para o ano-safra 2020/21, que termina em junho, a receita deve ser 13% maior.

Gado ‘verde’

A JBS quer incorporar este ano mais 200 pequenos pecuaristas de Rondônia ao Programa Selo Biocombustível Social, gerido pelo Ministério da Agricultura. Alexandre Pereira, diretor da JBS Biodiesel, conta que a adesão dos novos produtores da região de São Miguel do Guaporé garantirá 40 mil cabeças de gado à indústria, criadas sob as normas socioambientais exigidas pelo selo. O biodiesel “social” será produzido a partir do sebo desses bovinos.

Parceria

Para garantir a sustentabilidade nessas pequenas propriedades e obter a certificação, a JBS investiu, desde 2015 – ano em que o programa incluiu a pecuária –, R$ 5 milhões em assistência técnica gratuita. Até agora, cerca de 110 mil animais de 437 propriedades em 21 municípios de Rondônia foram adquiridos pela JBS dentro do programa. “Mais da metade já foi processada, o que proporcionou renda de R$ 120 milhões aos pecuaristas envolvidos”, acrescenta o executivo. 

Novos ares

A Perfect Flight, startup de monitoramento e gestão de pulverização aérea, aposta na internacionalização para acelerar o desempenho este ano. Os Estados Unidos são mercado-alvo da startup, com os primeiros contratos fechados em janeiro. “Em dois meses vamos abrir escritório no Estado de Iowa para atender produtores de grãos e algodão”, conta Rodrigo Iafelice dos Santos, conselheiro Estratégico da agtech.

Ritmo forte

A Perfect Flight também atua em Honduras e na Argentina a partir do escritório no Brasil. Ainda neste ano, deve começar a vender para Peru, Colômbia, Guatemala, Canadá e Austrália. Com a expansão de mercados, a plataforma estima cobertura de 20 milhões de hectares até o fim do ano, ante 10 milhões de hectares processados em 2020.  / AUGUSTO DECKER, MARIANA DURÃO, TÂNIA RABELLO, ISADORA DUARTE E LETICIA PAKULSKI

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