BP paga R$ 185 mi por ativos de combustível de aviação da Raízen

Com o acordo, braço de combustível de aviação da British Petroleum deve passar a deter 15% do mercado brasileiro

EDUARDO MAGOSSI, O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2011 | 03h09

A Air BP anunciou ontem a compra, por R$ 185 milhões (US$ 100 milhões), dos ativos de combustível de aviação da Raízen, que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) ordenou que a Shell vendesse no final de julho de 2011. A Raízen é uma joint venture entre Cosan e Shell, cada uma com uma participação de 50%.

A Air BP é a subsidiária da britânica BP que opera com combustível de aviação. A compra dos ativos da Raízen vai permitir que a Air BP tenha acesso ao abastecimento de cinco aeroportos, em Guarulhos (SP), Pampulha (MG), Afonso Pena (PR), Viracopos (SP) e Guararapes (PE). No Galeão (RJ) e Juscelino Kubitschek (DF), a empresa aumentará a capacidade das operações existentes. A expectativa é de que o acordo seja completado no primeiro trimestre de 2012.

No Aeroporto de Guarulhos, o Air BP deve ficar com os 14% da participação conjunta que a Cosan e a Shell detinham na operação. No Galeão, a participação a ser vendida é de 13% e em Recife, de 18%. Nos demais aeroportos, o comprador leva a cessão de certos bens e direitos sobre as áreas dos postos de abastecimento, seguindo a sentença do Cade. A compra também inclui instalações, tanques de estocagem de querosene de aviação, veículos e dutos especializados para abastecimento de aviões.

Os ativos que estão sendo adquiridos pela Air BP são compostos pela antiga Jacta Participações, que originalmente pertencia à Esso. Comprados pela Cosan, foram revendidos para a Shell em 2009, antes da criação da joint venture entre as duas empresas. Com a criação da Raízen, o Cade constatou concentração de ativos e ordenou sua venda.

A Raízen continuará operando nos sete aeroportos em que vendeu parte dos ativos. A estratégia da empresa é de concentrar sua expansão em aeroportos regionais e de aviação executiva. Atualmente, a Raízen está presente em 53 aeroportos e a expectativa é de estar em 70 em dois anos. Já a Air BP vai elevar sua presença para 18 aeroportos brasileiros com a concretização da compra. A expectativa é de que o negócio altere as fatias de mercado das empresas do setor, com a BR Distribuidora ficando com cerca de 60, a Shell com 25% e a Air BP com 15% do mercado.

Em nota, o presidente da Air BP, Ricardo Paganini, disse que os investimentos refletem o crescimento da demanda por combustível de aviação no Brasil, que cresce a uma taxa bem superior às taxas mundiais. Ele estima um crescimento aproximado de 16% no Brasil. De janeiro a outubro, as vendas de combustível de aviação no Brasil cresceram, em média, 12%.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.